Em 07 de maio de 1919, um grupo de pecuaristas alegretenses, reunidos na biblioteca do Clube Cassino local, decidiram pela criação de "uma entidade que representasse a grande coletividade de interessados nos negócios rurais, assim como fosse a coordenadora de todos os esforços para o adiantamento de sua pecuária e a defensora dos interesses da classe".
O incentivo a esse grupo, que tinha a liderança de FRANCISCO CARLOS DE SÁ DORNELLES, partiu de JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL, um semeador de idéias, que consegiu ainda ser um líder político, um diplomata, um pensador, um escritor e um produtor rural do melhor quilate, perseguidor incansável de técnicas capazes de aumentar a produtividade.
Nota de Marília Cechella:O Dr. Assis Brasil era proprietário da fazenda Ibirapuitã, no município de Alegrete-RS, às margens do rio do mesmo nome, que banha a cidade. Esta fazenda foi herdada do Barão de Cambaí, marido de sua tia Anna de Sousa Brasil. Como o Barão e a Baronesa não tinham herdeiros vivos (seu único filho morreu aos 5 anos de idade), suas fazendas foram distribuídas entre os sobrinhos de Anna (filhos de seus irmãos José, João e Francisco de Assis) e também entre alguns afilhados do Barão (MC).
ASSIS BRASIL já havia liderado, ainda no final do século, a fundação da Pastoril de Pelotas, a Associação agropecuária mais antiga do R.G. do Sul. Depois vieram as de São Gabriel, Bagé e finalmente a de Alegrete, que recebeu o nome de Associação Rural de Alegrete.
Assinaram a ata de fundação, e por isso são considerados fundadores da entidade, os ruralistas: Francisco Carlos de Sá DornelIes (eleito Presidente), Milton M. Quintana, Juvenal Saldanha, Januário Fonseca, Gastão Medeiros, Quirino Ferreira da Costa, Gaspar Saldanha, Eurico TelIes Pereira da Cunha, Eurípides Brasil Milano, Ernesto Saldanha, Waldemar Ramos Lages, Oswaldo Lautert, Basilio Bica, Alpheu de Sá Dornelles, Eucharis Brasil Milano, Acelino P. da Fonseca, Floriano Anhaya, João Niederauer, Julio Ruas, Euclides Araújo, Simplício Jacques Dornelles, Luiz Ignácio Jaques, Hildebrando José Ferreira e Basileu de Sá Medeiros. Como Presidente de Honra foi eleito o Dr. ASSIS BRASIL.
Nota de Marília Cechella: Os Brasil Milano (Eurípides, Eucharis e Euclides) são filhos de VIRGÍNIA DE SOUSA BRASIL e de JOSÉ MILANO. Virgínia foi a sobrinha que recebeu o maior quinhão das inúmeras fazendas do Barão de Cambaí, porque havia ido morar com a Baronesa desde a morte do único filho do casal, sendo considerada praticamente como uma filha. Seus filhos Eurípides, Euclides e Eucharis eram advogados, mas todos dedicavam-se intensamente às atividades agropecuárias em Alegrete.
PIONEIRISMO EM EXPOSIÇÃO AGROPECUÁRIA OFICIAL NO R.G.SULA I Exposição Agropecuária oficializada pelos governos constituídos do país teve lugar em Alegrete-RS, de 13 a 16 maio de 1920, numa promoção da Associação Rural de Alegrete, então sob a presidência do Dr. Juvenal Saldanha.
Esse grandioso certame concedeu prêmios especiais para reprodutores de diversas raças nascidos no RS, constando de valores em dinheiro, medalhas de ouro, prata, bronze e outros troféus. Mais de dois mil exemplares, vindos de todos os recantos do estado e países vizinhos, integraram o certame. O local dessa feira gadeira, das de maior sucesso no país, foi na bela Granja Maria del Carmen, atual "Granja Masgrau, dos operosos Irmãos Masgrau.
O sucesso dessa Exposição Oficial foi atribuído à sua Comissão Organizadora, integrada pelos senhores:
DR. EURÍPIDES BRASIL MILANO
MILTON QUINTANA
WALDEMAR LAGES
JAYME MASGRAU
A comissão de Julgamento da I Exposição Agropecuária estava constituída por:
JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL
LEÔNIDAS DE ASSIS BRASIL
FRANCISCO MACEDO COUTO
MIGUELITO DE ALMEIDA
HILDEBRANDO FERREIRA
Gesto notável a assinalar foi do embaixador e estadista Dr. JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL, Presidente de Honra da Associação Rural de de Alegrete, que participando dessa Exposição com notáveis animais, verdadeiras jóias de reprodutores, desistiu de concorrer a prêmios, a fim de que coubessemos lauréis aos demais expositores.
O famoso cavalo "Gaúcho", de propriedade do Dr.Assis Brasil, foi muito admirado pela incalculável multidão que transitou pelas instalações dos Masgrau.
INAUGURAÇÃO DA I EXPOSIÇÃO
As 15 horas de 13 de maio de 1920, entre festejos populares, bandas de música, espoucar de foguetes, presente incalculável massa popular, representações de todas as Associações Rurais do Estado, convidados de países vizinhos, foi inaugurada a I Exposição Agropecuária de Alegrete, promovida pela Associação Rural da cidade.
O presidente da entidade, Dr. Juvenal Saldanha, passou a direção dos trabalhos ao Major Oscar do Prado Souza, Intendente Municipal, que instalou a mesa principal, proferindo aplaudida oração. Foi dada, então, sob expectativa, a palavra ao orador oficial, a figura de líder nos empreendimentos pecuários e nas pugnas libertárias - DR. JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL. Eminente homem público, com profundo conhecimento dos problemas pecuários, um dos pioneiros no Brasil na melhoria dos plantéis, proferiu magnífico improviso.
Nossa folha, dentre tantos conceitos emitidos há 79 anos passados, sobre a oração do Dr. Assis Brasil, assim procurava sintetizar as suas palavras:
"O Dr. Assis Brasil disse que sentia-se satisfeito e feliz, por achar-se num meio como aquele, em que só via predominar, em tudo, a energia e o trabalho assíduo dos criadores de Alegrete, cuja capacidade nos labores da criação estava atestada pela grande quantidade de animais de todas as raças nobres inglesas, Durhan, Hereford, Devon etc, que figuravam com tanto realce na Exposição que se vinha de inaugurar".Continuou expedindo conselhos e conceitos apreciáveis. Disse que não tinha medo de errar, proclamando a superioridade da Exposição de Alegrete sobre todos os certames realizados no R.G. do Sul. Superioridade, disse, que saltava aos olhos de toda gente diante da quantidade e qualidade dos espécimes exibidos. Aproveitou, então, para dizer que a Exposição de Alegrete deveria servir de incentivo aos que ainda emperrados no antigo sistema, conservavamm-se na rotina, sem melhorar seu gado, sem cuidar do aperfeiçoamento das raças.
E terminou seu brilhante discurso, tendo palavras admiráveis de saudação ao Cel. Delphino Riet, presidente da "União dos Criadores" e ali presente, apresentando-o aos fazendeiros como exemplo vivo daquele esforço, daquela energia de trabalho de que havia falado.
Transcrito do Caderno Especial do jornal "GAZETA DE ALEGRETE", por ocasião do 80º Aniversário do Sindicato Rural de Alegrete, RS, em 05 junho de 1999 - Ano 117 - número 36 - página 3 e 4.
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