ARGEMIRO DE ASSIS BRASIL


ARGEMIRO DE ASSIS BRASIL nasceu em São Gabriel-RS em 11-05-1907 e faleceu em Canoas-RS em 23-06-1982. Era filho do fazendeiro Leônidas de Assis Brasil e de Marcia de Assis Brasil, que possuiam fazenda em Cacequi-RS.

Fez seus primeiros estudos em São Gabriel-RS. Ingressou no Colégio Militar de Porto Alegre em 1921 e depois cursou a Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro-RJ, onde, em 1929, graduou-se Oficial da Arma de Infantaria do Exército, formando-se em primeiro lugar na sua turma.

Em 1930, como 2º tenente, negou-se a combater o governo legalmente constituído de Washington Luiz, razão pela qual foi preso, sendo anistiado três meses depois pelas forças vitoriosas de Getúlio Vargas.

Em 1932, no posto de 1º Tenente, dentro dos mesmos princípios constitucionalistas que seguia, participou do movimento revolucionário paulista de caráter constitucionalista, o que lhe valeu dois anos de exílio na Europa e clandestinidade na Argentina. Foi anistiado, novamente por Getúlio Vargas, em 1934.

No posto de Capitão concluiu, em 1945, o curso da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais em primeiro lugar. Em 1949, no posto de Major, concluiu o curso da Escola de Comando e Estado-Maior do Exercito, também em primeiro lugar. Foi agraciado com a Medalha Marechal Hermes, de aplicação e estudo, com três coroas, devido aos três primeiros lugares que conquistou.

Em 1950 foi nomeado membro da Missão Militar Brasileira de Instrução no Paraguai. Dentre outras tarefas, lecionava História Militar e Geopolítica no curso de formação de oficiais do exército do Paraguai.

Regressou ao Brasil em 1953. Serviu, no posto de Tenente-Coronel, no Comando da 3ª Região Militar, em Porto Alegre-RS. Como Coronel comandou o 2º Regimento de Infantaria em Santa Maria-RS, o 19º Regimento de Infantaria em São Lepoldo-RS e foi Chefe de Estado-Maior da 3ª Região Militar.

Em 1962, foi nomeado Adido Militar à Embaixada do Brasil em Buenos Aires.

Promovido a General-de-Brigada, em agosto de 1963, foi convidado pelo Presidente João Goulart para o cargo de Ministro Chefe da Casa Militar da Presidência, onde permaneceu até 1964, ocasião em que o movimento militar de 31 de março depôs o presidente.


Argemiro e João Goulart em 13/03/1964

Cumprindo missão que considerava ser seu dever, como Chefe da Casa Militar, acompanhou o presidente João Goulart até o exílio em Montevideu e retornou imediatamente ao Brasil, apresentando-se aos seus superiores.

Ao retornar, em 1964, foi preso no Forte de Jurujuba. Foi demitido do Exército, tendo cassados seus direitos políticos por dez anos e, para sempre, as suas condecorações militares brasileiras. Foi impronunciado pela Justiça Militar no Inquérito Policial Militar a que respondeu em 1964, não lhe cabendo qualquer punição.

Teve empregos e créditos bloqueados, ficando impedido de trabalhar para o seu sustento. Com a morte de sua mulher em 1967, deixou de existir a pensão que ela recebia, devido ao general ser considerado legalmente morto por ter sido demitido. Assis Brasil sobreviveu com muita dificuldade por quinze anos, até ser anistiado, pois não recebia nenhuma aposentadoria militar, apesar de seus mais de 40 anos de serviço no Exército Brasileiro. Sustentava-se com o que ganhava ministrando aulas particulares de matemática em Canoas-RS, com a ajuda de parentes e com uma pensão de meio salario mínimo que recebia do INPS, como idoso. Morava, modestamente, em casa de madeira em bairro pobre da periferia de Porto Alegre.

Sempre se declarou contra qualquer revanchismo, classificando-se, em entrevista dada ao jornal Folha da Manhã de Porto Alegre-RS, em junho de 1979, como um soldado preocupado somente com a "profissão militar". Apesar da surpresa com que recebeu o duro tratamento dado pelos militares que lideraram o movimento militar, o general disse, nessa entrevista, que seus autores estavam sob forte "impacto emocional".

Em 1981 foi reabilitado pelo presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo, que lhe devolveu a patente militar e o passou à condição de inativo. Logo após receber a anistia, ao lhe ser perguntado em um programa de televisão da TV Guaíba de Porto Alegre qual sua opinião sobre a anistia que estava recebendo, declarou:
- Eu já havia anistiado, há muito tempo, todos aqueles que fizeram aquilo comigo.

Ao falecer, em 1982, não deixou bens materiais. Por ocasião de seu sepultamento, amigos pessoais afirmaram em depoimento a jornais que cobriram o acontecimento, que "ele era um patriota que nunca teve uma só palavra de ressentimento, nem mesmo em relação às injustiças que lhe cometeram". O Coronel Pedro Alvarez, outro militar demitido, observou nessa ocasião: "Assis Brasil foi um homem coerente, que nunca abandonou suas idéias, mesmo nas horas mais difíceis. Ele foi um dos líderes do movimento nacionalista nas nossas Forças Armadas."


Argemiro e Alba na entrega de espadim a Antônio Carlos em 1960

Casou-se em primeiras núpcias em Santa Maria-RS, em 14-01-1939, com Alba Arruda Gomes, professora, nascida em Santa Maria-RS em 04-07-1918 e falecida em Porto Alegre-RS, em 27-04-1967. Tiveram dois filhos, Antônio Carlos de Assis Brasil, militar e engenheiro residente no Rio de Janeiro-RJ, e Paulo Renatos de Assis Brasil, médico, residente em Canoas-RS. Casou-se ainda, em segundas núpcias, com Iná Marques, atualmente residente em Canoas-RS, que passou a assinar-se Iná de Assis Brasil. Com o casamento, Argemiro recebeu como enteado o filho do primeiro casamento de Iná, Juarez Marques.

Nota: O texto acima foi reproduzido da genealogia [3a. GERAÇÃO] da família Assis Brasil.

Saiba mais sobre a vida e as opiniões do general Assis Brasil clicando nos links abaixo.

DEPOIMENTO À REVISTA ELE ELA (1980)
DEPOIMENTO A CRANGER CAVALHEIRO DE OLIVEIRA (1981)
GENEALOGIA DE ARGEMIRO DE ASSIS BRASIL



Sua visita é a de número

Webmaster