Trechos retirados da Ata da 64ª Sessão Ordinária da Assembléia Legislativa do Estado do RGS, realizada em 03/09/1997, quando Grande Expediente Especial foi realizado para comemorar os 70 anos da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (FARSUL).
"...... No fim do século passado foi fundada a Sociedade Brasileira para Animação da Agricultura, por Joaquim Francisco Assis Brasil, em Paris, no dia 10 de junho de 1895. A primeira entidade fundada no nosso Estado foi a Sociedade Agrícola e Pastoril, em 12 de outubro de 1898, em Pelotas, cidade-braço do associativismo rio-grandense. Em 24 de maio de 1927 foi fundada a nossa FARSUL...."
".......A FARSUL tem importância histórica na agropecuária gaúcha. Foi dela a reivindicação, atendida pelo então Presidente Getúlio Vargas, para a construção do Parque de Exposições do Menino Deus, em Porto Alegre. Nesse local, realizaram-se as exposições estaduais, desde a primeira, em 1931, organizada pela Farsul, até 1970, quando foi transferida a feira para o Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio...."
Nota de Marília Cechella: Nos últimos anos, a exposição estadual adquiriu um caráter mais internacional, passando a ser chamada de EXPOINTER, a maior feira agropecuária da América Latina.
A seguir, as partes da Ata em que são citados todos os presidentes da FARSUL, desde a sua criação até 1997.
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Sra. Deputadas, Srs. Deputados, Srs. Produtores Rurais, não poderia encerrar este pronunciamento sem relembrar o nome daqueles líderes da sociedade rio-grandense que, anteriormente ao presidente Carlos Sperotto, exerceram a presidência da Farsul.
Dr. Ricardo Pereira Machado, em 1927;
Severino Lessa, em 1931;
Dr. Ricardo Pereira Machado, em 1933;
Dr. Aníbal Di Primo Beck, em 1935;
Manoel Faustino Salles de Carvalho, em 1939;
Balbino de Souza Mascarenhas, em 1941;
Prof. Oscar Daut Filho, 1947;
Cel. Marcial Terra, 1949;
Prof. José Salgado Martins, 1951;
Ricardo Wagner, 1953;
Maj. Pedro Olympio Pires, 1954;
Balbino de Souza Mascaranhas, 1955;
Dr. Dácio Assis Brasil, 1957;
Prof. Antônio Sant'Pastous de Freitas, 1961;
Dr. Oscar Carneiro de Fontoura, 1963;
Dr. Dácio Assis Brasil, 1965; Prof. Luiz Fernando Cirne Lima, 1968;
Dr. Nicanor Kramer Luz, 1970;
Dr. Alamir Vieira Gonçalves, 1972;
Dr. Iber Silvestre Benvegnu, 1976;
Dr. Flor Amaral, 1979;
Dr. Baltazar de Bem e Canto, em 1982;
Dr. Ary Faria Marimon, em 1985 e
Dr. Hugo Eduardo Giudice Paz, em 1988, que antecedeu o Dr. Carlos Sperotto."....Nascia, então, nesse momento, uma das mais fortes e antigas entidades rurais gaúchas e brasileiras! Dois dias depois, em 26 de maio, os estatutos foram aprovados, constituindo-se assim a primeira diretoria:
Presidente: Dr. Ricardo Pereira Machado 1º Vice: Dr. João Py Crespo
2º Vice: Cel. Antônio O. Macedo
3º Vice: Cel. João Luiz Gomes
1º Secretário: Veterinário Delfim de Mesquita Barbosa
2º Secretário: Dr. Domingos Santayama de Mascarenhas
1º Tesoureiro: Octávio Barreto
2º Tesoureiro: Bruno Lick
......"Histórico da fundação da FARSUL
" .....A Farsul é uma das mais antigas federações de entidades regionais. Ressaltamos a importância que tem para o nosso Estado essa entidade máxima da classe rural gaúcha, que congrega todos os produtores rurais.
Sua longa história é acompanhada de lutas, de sacrifícios e muita união acima de tudo. Tudo começou pelos idos de 1920. Ao registrarmos essa data, que enobrece a classe e comprova o espírito associativo que desde 1898 vem colocando o Rio Grande do Sul na liderança das entidades que agremiam o campo, é necessário lembrarmos os primeiros passos da Farsul. Seu surgimento resultou na necessidade de reunirem-se todas as associações rurais em uma única entidade de classe.
Em agosto de 1926, em Porto Alegre, reuniu-se um grupo de criadores buscando essa finalidade. O movimento estudou o assunto e lançou a proposta de organizar uma federação. Em abril do ano seguinte, essa proposição foi levada ao Presidente do Estado, Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros, que foi convidado, na ocasião, a participar do congresso rural no qual seria lançada a idéia da sua fundação. No dia 24 de maio de 1927, em Porto Alegre, no Theatro São Pedro, um ato solene foi realizado, ao qual esteve presente o Presidente do Estado, Dr. Antônio Augusto Borges de Medeiros, que pronunciou um longo discurso.
Nessa sessão, compareceram criadores, 26 associações rurais existentes no Estado, além de autoridades, técnicos e professores. O resultado foi imediato, pois, continuando os trabalhos inicialmente desenvolvidos por um grupo de ruralistas sob a liderança do Dr. Ricardo Pereira Machado, a assembléia decidiu fundar a federação. Com a presença de representante das associações rurais presentes, a primeira sessão foi conduzida pelo Coronel Feliciano Vieira. A proposta de fundação da federação foi aplaudida e aclamada por unanimidade.
Nascia, então, nesse momento, uma das mais fortes e antigas entidades rurais gaúchas e brasileiras! Dois dias depois, em 26 de maio, os estatutos foram aprovados, constituindo-se assim a primeira diretoria:
Presidente: Dr. Ricardo Pereira Machado
1º Vice: Dr. João Py Crespo
2º Vice: Cel. Antônio O. Macedo
3º Vice: Cel. João Luiz Gomes
1º Secretário: Veterinário Delfim de Mesquita Barbosa
2º Secretário: Dr. Domingos Santayama de Mascarenhas
1º Tesoureiro: Octávio Barreto
2º Tesoureiro: Bruno Lick
Aquele congresso rural encerrou-se em 29 de maio de 1927, deixando sementes que germinaram em anos seguintes, na forma de encontros anuais. Desde o início desfraldou-se a bandeira da defesa da agropecuária rio-grandense. Ganhou forças e cresceu, passando a exercer influência no meio político e social, gaúcho e brasileiro. Passado um ano de sua fundação, a entidade já lançava a construção de sua sede própria, na recém-aberta Avenida Borges de Medeiros, em Porto Alegre. A sede, denominada de Casa Rural, foi inaugurada pelo Presidente Getúlio Vargas, em 25 de setembro de 1935.
Pela importância na condução dos anseios do setor primário do Rio Grande do Sul, em 1929, por meio do Decreto 4.306, assinado pelo Presidente Getúlio Vargas, a Farsul foi declarada de utilidade pública por representar "a classe rural, um dos fatores preponderantes da vida econômica do Estado".
É importante salientar as muitas conquistas da Farsul para a agropecuária Rio-grandense. Lutou pela implantação de um código rural, que foi elaborado por Borges de Medeiros, mas só veio se concretizar através da Emenda Constitucional nº 10, de 10/11/64 e com a edição da Lei nº 4.504, de 30/11/64, que criou o Estatuto da Terra. Também o Decreto-Lei nº 1.176, de 29 de março de 1939, que passou a regular o uso de marcas a fogo para a identificação do gado, traduziu uma luta da entidade como forma de combate ao abigeato. São apenas alguns exemplos da força que a Farsul acabou conquistando.
Ao longo do tempo, a Farsul esteve presente em todas as situações e momentos importantes da vida agropecuária gaúcha, sendo, como até hoje, o órgão máximo de representatividade dos produtores rurais. No ano de 1960, defrontou-se com as grandes mudanças que estavam sendo pregadas e discutidas em âmbito nacional. Vivia-se ante as ameaças de uma reforma agrária radical e socialista. Adiantando-se, a Farsul criou um grupo de trabalho para uma avaliação mais profunda da questão. Era imprescindível que a classe rural se mobilizasse e atacasse o problema de frente, tomando uma posição. Foram convocados então todos os ruralistas gaúchos para a Concentração de Santa Maria, que resultou em uma carta na qual a Farsul apostava no equilíbrio e no bom senso para a solução desse problema. A esse particular, é necessário ressaltar que também esse ano, mais precisamente no dia 16 de agosto, na mesma cidade de Santa Maria, a Farsul novamente convocou todos os produtores rurais, sendo representados por mais de 80 sindicatos rurais e lideranças do setor, para deliberarem sobre a segurança no campo, em face das seguidas invasões lideradas por movimentos que se estruturam e avançam à margem da lei e da ordem jurídica.
Em 1965, foi outorgada pelo Ministério do Trabalho, no dia 26 de novembro, a Carta Sindical, como entidade do 2º grau, representando um marco na concretização da Federação, quando era transformada a Federação das Associações Rurais em Federação dos Sindicatos Rurais, mantendo a sigla tradicional Farsul.
Na década de 70 e ao final desta, a Federação esteve fortemente mobilizada, quando encaminhou documento ao Governo Figueiredo, que se instalava, contendo sugestões do ruralismo gaúcho e reivindicações, pleiteando fixação de diretrizes para uma política de desenvolvimento integral da agricultura, objetivando o atendimento das necessidades alimentares da população brasileira, o suprimento de matérias-primas para o crescimento da agro-indústria e a prefixação de excedentes exportáveis, visando o estímulo da produção e o incremento da receita cambial. Alertava para a necessidade de fixação de diretrizes para o crédito rural, com alocação de recursos para o investimento e o custeio, para o fortalecimento da política de estoques reguladores, para o estímulo do processo de desenvolvimento da agro-indústria, para o barateamento dos insumos agrícolas, a implantação do seguro rural e a participação dos produtores nos colegiados que decidem sobre a economia. Embora, casuísticamente, muitas conquistas para o meio rural foram obtidas, graças ao esforço e à liderança da FARSUL naquele difícil período, em que a política cambial penalizou gravemente a pujante lavoura da soja com um verdadeiro confisco, que, devido a essa atuação, foi revisado e revogado. Como decorrência daquela crise, reunia-se o Conselho de Representantes da Entidade, na sua sede da Avenida Borges de Medeiros, em abril de 1980, e trazia a público sua posição em um instrumento denominado "DOCUMENTO BÁSICO DO RURALISMO RIOGRANDENSE", cujo relator era o ruralista e advogado Luiz Moraes Varella, hoje Vice-Presidente da FARSUL e Coordenador Jurídico de nossa Bancada nesta Casa. Nesse documento, era reclamada uma política de preços mínimos, para proteger especialmente a lavoura do arroz da exploração dos intermediários, para proteger a lavoura de soja contra o confisco cambial. Era pleiteada a reativação das linhas de crédito para os programas especiais, como o PRONAP, o PRODEPE, o PROCAL e tantos outros e manifestada justa preocupação do setor em busca de assistência social efetiva ao produtor rural, documento esse que ainda não perdeu sua atualidade.
Outro momento significativo, na história da entidade, foi a inauguração da sua nova sede, em 1981, onde hoje se localiza a Praça Professor Antônio Sant'Pastous de Freitas - praça essa que ganhou o nome do médico e pecuarista ilustre, que foi presidente da Farsul, de 1961 a 1963.
A Farsul muito tem feito pelo progresso do nosso Estado, e isso pode ser comprovado pela pujança da Expointer 97, pois, apesar dos sacrifícios enfrentados pelos nossos pecuaristas, o setor está conseguindo avançar em tecnologia e em genética de seus rebanhos".
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