A VOLTA DE ASSIS BRASIL À CRÍTICA

Academia Brasileira de Letras lança a 112ª obra do escritor, "Herberto
Sales, Regionalismo e Utopia", abrindo novas perspectivas na literatura.

Podemos dizer, nesta altura de sua carreira, que o escritor piauiense Assis Brasil "volta" ao seu leito natural, ou seja, está de volta, com o livro "Herberto Sales, Regionalismo e Utopia", à crítica literária e ao ensaísmo de idéias, de que sempre foi um aficionado. Isto não quer dizer que os livros anteriores sejam menos importantes, como é o caso dos três projetos literários que desenvolveu por toda a década de 1990: uma coleção extraordinária de antologias (11 até aqui) poéticas estaduais; uma Trilogia Teocrática, revelando, inclusive a existência pré-humana de Jesus Cristo; e o conjunto de seus seis romances históricos, agrupados em quatro volumes, com o inédito "Bandeirantes, os comandos da morte", tudo lançado pela Imago Editora.

Agora, a "volta", incluindo este "Herberto Sales, Regionalismo e Utopia" no conjunto de seus ensaios literários, que destacam estudos sobre Clarice Lispector, Adonias Filho, João Guimarães Rosa, Carlos Drumond de Andrade, Manuel Bandeira, João Cabral de Mello Neto. Com suas histórias literárias e seus dicionários, nenhum outro escritor brasileiro se dedicou mais a analisar a nossa literatura, sempre com competência e dando destaque para os escritores mais novos. A sua visão critica é positiva em relação ao que produzimos na área, e desses seus livros, a literatura sai ganhando em projeção maior.

Bem, "Herberto Sales, Regionalismo e Utopia", que teve uma bela edição da Academia Brasileira de Letras, chama a atenção para a obra do escritor baiano, que sempre se queixou de que a mídia nunca lhe deu a atenção devida, obra também carente de estudos mais profundos como este de Assis Brasil, que resgata o escritor para as novas gerações de estudantes de letras. Toda a ficção de Herberto Sales é analisada com profundidade, simplicidade e não menor objetividade, como saliente, em prefácio ao livro, o atual presidente da Academia Brasileira de letras, o poeta Alberto da Costa e Silva.

Dividindo a obra ficcionada de de Herberto Sales em dois números historiográficos e estéticos, Assis Brasil mostra novas facetas do nosso regionalismo, e no caso do escritos baiano, um passo à frente dos regionalistas do Nordeste, em destaque Graciliano Ramos, José Américo de Almeida, Jorge Amado, José Lins do Rego. É saliente, no ensaio de Assis Brasil, a colocação que ele faz do significado regionalista da literatura, tudo a ver com o uso, estilizado, da linguagem oral, e nada a ver com movimento literário ou estético, um equívoco, sempre renovado, dos nossos professores e historiadores que lidam, na cátedra ou no jornal, com fenômeno da literatura. Por tudo isso, em síntese, o ensaio de Assis Brasil chega mesmo a abrir perspectivas novas em relação aos estudos literários. Este é o livro de nº 112 do escritor piauiense de Parnaíba.

Artigo de Clóvis A. Lins, professor de literatura e escritor, Diário de Povo, Teresina, 22/11/02, pag. 18.