ALEGRETE-RS
Alegrete antigo (1938): Praça (sul)
Ao fundo, da esq. para dir.: Residência de Amadeu Bicca de Medeiros, Cel. Antônio de Oliveira Macedo,
Francisco Carlos de Sá Dornelles e Alpheu de Sá Dornelles.
" Ah, pátria amada Alegrete, patrimônio histórico há muito tombado nos anais da minha saudade e definitivamente catalogado entre os meus afetos! Irreversível nas minhas remembranças".
José Bicca Larré
Jornalista e escritor alegretense, radicado em Santa Maria/RS.
Membro da Academia Santa-Mariense de Letras.
PATRIAZINHA
José Bicca Larré (*)
Do livro Sereias & Lobisomens: das pessoas e das coisas - Contos e Crônicas.
Associação Santa-Mariense de Letras, 1995.
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Minha pequena pátria da infância distante. Alegrete.
Exílio de ti que me impus, há quanto tempo!
Saudade que engordo e nutro, cada dia do meu Ibirapuitã companheiro, úmido e frio, caudaloso, coleando peixes nas corredeiras, dormindo outros nos poços sem fundo, escuros, de grutas submersas. Rio-mar-infância banhando corpos de sereias, aquecido ao sol. De seixos, de limo, de grandes pedras negras e de areias brancas. Ibirapuitã que me ensinou a nadar e a me afogar, a remar e a pescar.
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Alegrete das velhas vilas esquecidas, presentes todas nas minhas relembranças. Canudos, Restinga, Vila das Latas, Coxilha, bairros satélites; todos interstícios sócio-econômicos entre a cidade e as fazendas. Fábricas intermináveis de domésticas e prostitutas, operários-carroceiros, crianças, anjinhos e trabalhadores de salário menor e changas pelas ruas.
Minha pátria miniatura, de pecuária e plantações. Flórida gaúcha de rebanhos puros, bovinos e ovinos, muito mais que os humanos. Paisagem de criaturas torturadas e pobres. Alegrete dos casarios baixos, das ruas sem calçadas, suburbanas, entrando pelas portas, na mais pública das intimidades.
Rica e pobre pátria minha, histórica e lendária. Ponte de pedra dos combates revolucionários e rastros do esplendor da Capital Farrapa de um tempo que passou.
Pátria de intelectuais e guapos, de belas mulheres e de mil histórias antológicas, contadas umas, esquecidas outras, nas páginas amarelas da Gazeta, meu primeiro jornal-amor.
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Conta-me, Alegrete, dos teus filhos que já sepultaste entre os muros carcomidos do velho Cemitério Municipal. Ênio Campos, Antônio Brasil Milano, Felisberto Coelho, Ciro Leães, Hermínio Alves, Eutiquiano Gomes, Salustiano e Gregoriano Ferreira; e Hyran, meu querido irmão? Que é feito deles? E o Dr. Lisboa, e o general Pedro Palma, meu segundo pai? E o Ladário Souza, lendário? E Rui Ramos e dona Neíta, sua mulher, que me ensinou geografia. E o finado Marcos Larré, meu pai? E o tio Eugênio, meu primeiro padrinho prometido, com sua imensa cultura. Poliglota, ensinou-me, entre os seus joelhos, letra e música da "Marselhesa". Pena que convivi tão pouco tempo com ele. Mas me deixou primos muito queridos. A Alba, em primeiro lugar. E a Neda, neta e minha quase irmã. E Oswaldo Dornelles, e o coronel Laurindo Ramos? E o velho Antônio Alves, da farmácia? E o sempre vivo João Peres?
E o nosso Mário Quintana, que, enquanto pôde, fugiu da megera, até que ela lhe fez a derradeira emboscada? E o nosso Oswaldo Aranha, amigo de meu pai, galista inveterado?
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Alegrete da velha praça e da praça nova também. Relembro a rua "timpina" que me traz outras ruas antigas. A dos Andradas era como uma estrada asfaltada. A ltapiru era conivente nas minhas fugas para o rio. A Mariz e Barros levava ao futebol, à ponte, às carreiras e à aviação. A Dr. Lauro ligava a hidráulica e o cemitério com a prostituição, que começava na Pensão da Anita e terminava no submundo luético do "Duzento", nos Canudos, onde se morria de tiro, facada ou doença venérea. Submundo de uma sociedade levada à extrema simplificação, onde predominavam réus, vítimas e testemunhas!
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A Avenida Freitas Valle era o cordão umbilical com a instrução, a cultura, os namoros de estudante e a estação ferroviária. A Delegacia de Polícia, o Correio, o Colégio das Freiras, o tênis e o basquete. Já a rua Ipiranga nos tornava sociáveis no passeio noturno de vai-e-vem, no café, no Cinema Ipiranga, umas poucas vitrines e o Clube Caixeiral.
Havia mistérios insondáveis e segredos-tabus: a Sociedade Italiana, a Casa Queimada, a estátua do "Manequinho", a Pedra Grande, o Chalé dos Portela, a Maçonaria. E a Igreja Metodista, com o diabo atrás da porta, como nos ensinavam na catequese os nossos piedosos padres...
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Ah, pátria amada Alegrete, patrimônio histórico há muito tempo tombado nos anais da minha saudade e definitivamente catalogado entre os meus afetos!
Irreversível nas minhas remembranças.
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Nota da webmaster:
(*) JOSÉ BICCA LARRÉ nasceu em Alegrete/RS, em 1929. Começou a carreira de jornalista com 14 anos de idade, no 1° jornal do Rio Grande do Sul, o Gazeta do Alegrete. É autor dos livros “Sereias e Lobisomens” (1995), “Maçonaria Esotérica para Maçons e um pouco de História também” (1999), “Tintim por Tintim - Memórias de um Jornalista” (2002), “A Estrela Dalva” (2003) e "Crônicas do diário" (2007). Trabalhou como jornalista na imprensa de Porto Alegre, Caxias do Sul, Alegrete e Santa Maria. É membro fundador da Associação Santamariense de Letras (hoje Academia SL), tendo participado de todas as edições de produção coletiva publicadas por essa antiga Associação. É membro da Academia Brasileira Maçônica de Letras e pertence à recém-criada Academia Santa-Mariense de Letras. É contista e cronista, tendo publicado inúmeras produções em jornais, revistas e livros. Recebeu prêmios literários nacionais, estaduais e municipais. Em 2005, Bicca Larré foi o Patrono da Feira do Livro de São Sepé/RS. Mantém uma coluna nas edições de fim de semana, no caderno "Mix", do jornal Diário de Santa Maria (pertencente à RBS), desde o lançamento desse prestigioso diário.
José Bicca Larré
Do livro Crônicas do diário.
Academia Santa-Mariense de Letras, 2007.
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Um antigo adágio popular ensinava que "cada roca tem seu fuso e cada povo tem seu uso". Verdade. Os pelotenses dizem que são "di" Pe1otas. Já os bageenses são "de" Bagé. E os alegretenses afirmam, com o orgulho natural dos que nasceram lá, que são "do" Alegrete. Em oposição ao maneiroso e delicado "di" dos pelotenses, os do Alegrete pressupõem ser de uma terra de machões. As cidades todas precedem seu nome distintivo com esse substantivo feminino que as designam como urbes. Cidade de Passo Fundo, cidade de Uruguaiana, ou de Jaguarão, Santo Ângelo, etc.
Os nascidos em Alegrete fazem questão de identificar seu lugar de nascimento como masculino. E não deixam por menos: o Alegrete, sou "do" Alegrete. Puro machismo, só justificado pelo orgulho que sentem de sua cidade. Tratam e sentem o Alegrete como uma patriazinha lindeira com os demais municípios da região pampeana. Como se fosse um país independente, vizinho e "hermano".
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De onde vem esse orgulho de ser do Alegrete? Creio que a história do Rio Grande, de fato, passou por lá. Alegrete é o coração e centro geográfico da fronteira oeste. Foi capital farroupilha. Berço de grandes combates históricos. Foi o maior município na formação geográfica do Estado (*). Naqueles tempos das sesmarias, quase todos os municípios da planície do pampa rio-grandense, pertenciam ao mapa alegretense. Por assim dizer, Alegrete era o grande e único município daquela região de campos planos e pastagens nobres. Uruguaiana, Livramento, Quaraí, São Francisco de Assis, Rosário do Sul e etcéteras, eram distritos do Alegrete, que se foram tornando independentes e progressistas ao longo do tempo. Mas, ainda hoje, Alegrete é o maior município do Estado.
É curioso esse destino do meu Alegrete. Falo na sua tradição de "exportar" seus filhos. Economia rural de seletiva concentração de renda, não consegue manter os que nascem lá, mas aspiram ser mais do que comerciários e bancários. E os jovens alegretenses debandam, na busca de oportunidades melhores e de posições sociais maiores. Sempre a muito contragosto.Essas razões, somadas a fatos históricos que são de todos conhecidos, explicam esse êxodo dos alegretenses. Lá, nasceram figuras ilustres inumeráveis, no campo da medicina, das artes, da política, da literatura e do magistério superior. Oswaldo Aranha, cidadão do mundo, e Mário Quintana, nosso maior poeta, são exemplos disso. "Patrícios" do Alegrete já ocuparam posições de destaque, como a presidência da Farsul, a direção da Faculdade de Medicina de Porto Alegre (**), o exercício do jornalismo nos mais importantes diários do Rio Grande do Sul, e as letras, que marcaram uma tradição de grandes valores alegretenses.
O orgulho de ser "do Alegrete" é telúrico. Gera um gentílico admiravelmente típico. Os do Alegrete se consideram "patrícios" entre si. Já ouvi mais de um alegretense extraviado por aí em terras alheias, afirmando com toda convicção: "Sou natural do Alegrete, pela graça de Deus". Outro, mais gaiato, dizia: "Modéstia à parte, sou do Alegrete". De outro já escutei a afirmação: "Não é gabolice minha, mas nasci no Alegrete. Posso provar".
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Nota da webmaster
(*) Alegrete é o maior município do estado do Rio Grande do Sul em extensão territorial (7.803 km2) e sua população estimada é de ~88.000 habitantes (2006 - IBGE).
No processo de criação dos municípios do Rio Grande do Sul, Alegrete ocupa o oitavo lugar, desmembrado do município de Cachoeira do Sul que, por sua vez, originou-se do município de Rio Pardo, em 1819. Do grande município de Alegrete surgiram os municípios de Uruguaiana, Livramento, Departamento de Artigas (no Uruguai), Quaraí, parte de Rosário do Sul, parte de Bagé e parte de Manoel Viana.
O município tem como riqueza, nos últimos 200 anos, a criação extensiva de gado (rebanho bovino= 536.636 cabeças, o maior do estado; rebanho ovino= 423.446 cabeças) e, nos últimos 50 anos, a lavoura orizícola (45.000 ha).
Fonte: http://www.alegrete.rs.gov.br/2006/dados.php(**) Médicos alegretenses que foram Reitores da UFRGS:
Dr. Antônio Saint Pastous de Freitas (radiologista) - Reitor de 1943-1944
Dr. Eduardo Faraco (cardiologista) - Reitor de 1968-1972
Dr. José Carlos Fonseca Milano (clínico geral) - Reitor de 1964-1968
Dr. Luiz Francisco Guerra Blessmann - (ortopedista) - Diretor da Fac. Medicina/UFRGS - 1935-38; e 1954-1956.Fonte:
- "Alegrete em Fatos" (autor: Prof.Danilo Assumpção dos Santos, 2007 - Centro de Pesquisas e Documentação de Alegrete).
- História Fac.Medicina da UFRGS: http://www.famed.ufrgs.br/historia/christfischer.htm
ALEGRETE - "a cidade mais gaúcha do Rio Grande do Sul"
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Alegrete, ex-capital farroupilha, é considerada "a cidade mais gaúcha do Rio Grande do Sul" e seus filhos muito se orgulham desse título. Em cada Dia do Gaúcho (20 de setembro), faça chuva ou faça sol, cerca de 8.000 cavalarianos - de todas as idades, classes sociais e sexo - desfilam orgulhosos pelas principais ruas da cidade, com suas roupas primorosamente típicas e suas montarias ricamente ajaezadas. É o maior desfile, deste tipo, no mundo inteiro.
Neste 2007, os cavalarianos alegretenses deram uma prova incontestável disso. Em meio a uma chuva fina, foram milhares deles que passaram garbosamente na Praça Getúlio Vargas, subindo a rua Mariz e Barros, descendo a Vasco Alves, prolongando-se pela rua dos Andradas, até a dispersão na Praça Nova. Havia orgulho de ser gaúcho, estampado em cada uma das fisionomias e muitos dos que desfilaram, já haviam abrilhantado o desfile do distrito de Passo Novo e também da vizinha cidade de Manoel Viana.
O público, mesmo com a chuva fina que volta e meia insistia em cair, não arredou pé e aplaudiu as encenações históricas, as prendas, os peões mirins e, naturalmente, os tradicionalistas de sempre. Com a presença da RBS TV transmitindo para todo o Estado, o desfile em Alegrete ganhou a visibilidade que há muito merecia.
Fonte:
- Jornal Gazeta de Alegrete (Editorial) - edição de 22-09-2007.
Mulheres alegretenses no desfile do Dia do Gaúcho/2007.Os Centros de Tradições Gaúchas e seus Piquetes filiados esmeraram-se nas indumentárias e produção da temática deste ano: Assim se Movimentou o Gaúcho, retratando a evolução dos meios de transporte e de locomoção dos gaúchos ao longo da história (carreta de bois, cavalos, charretes, aranhas, carroças, etc).
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Clique aqui (http://br.youtube.com/watch?v=nCEYKb40aIk) para ver um vídeo sobre o desfile.
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Nas imagens, fatos e vultos históricos dos primórdios da cidade são relembrados, bem como sobre a Revolução de 1923 - a luta política entre maragatos e chimangos, quando aqueles levantaram-se contra uma suspeita reeleição de Borges de Medeiros para o quinto mandato como presidente do Estado (governador).
Foi feita uma simulação do famoso combate sobre a ponte do rio Ibirapuitã, entre as forças de Flores da Cunha (líder chimango) e de Honório Lemes (líder maragato).
Foi, também, representado o batalhão de Vasco Alves Pereira - alegretense que teve importante participação na Revolução Federalista de 1893.
Foi, ainda, relembrada a formação da Aliança Liberal (fusão dos maragatos e chimangos do RGS com mineiros e paraibanos) na Revolução de 1930 - movimento este articulado politicamente e organizado militarmente pelo alegretense Oswaldo Aranha e que acabou por derrubar o então Presidente Washington Luiz. Na seqüência, Getúlio Vargas assumiu a chefia do "governo provisório", marcando o fim da República Velha e Oswaldo Aranha assumiu o Ministério da Justiça e Negócios Interiores.
A bandeira do Rio Grande colada ao peito
atesta o orgulho de ser gaúcho do alegretense.
(RE)VIVER EM ALEGRETE
Maria Luiza Vargas Ramos*
"Todos cantam sua terra, também vou cantar a minha..."
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Para quem abriu os olhos para a vida numa primavera alegretense na rua Mariz e Barros, aprendeu as primeiras letras no "Oswaldo Aranha" e as primeiras orações na Igreja Matriz, dançou sua primeira valsa no Casino e namorou no Cine Glória e no Quiosque da Praça... viver ou reviver em Alegrete nas férias e feriados é mais do que um prazer, é mesmo uma necessidade.
Vista aérea da praça Getúlio Vargas, podendo-se ver a Igreja Matriz numa de suas faces.
O céu alegretense, como é o seu habitual, muito limpo e intensamente azul (tipo "céu de brigadeiro").Entre as ruas, as árvores e o meu povo sinto-me inteira, encontro minhas referências e as razões de tudo o que sou e não sou; as respostas para meu jeito de ver e sentir as coisas, as pessoas e a própria Vida.
Os alegretenses, para mim, têm o olhar mais franco, o sorriso mais aberto e as histórias que contam têm mais ressonância, porque também as vivi.
Meus amigos, os pais dos meus amigos e agora os filhos deles são galhos de árvores conhecidas, cujas sementes nunca caem muito longe do tronco.
O mate é mais amargo e espumante, o churrasco mais suculento, a chula mais bem dançada e, na música, temos o Canto Alegretense que já virou hino do Rio Grande.
Recordista em CTGs e escolas de dança clássica e piano, este é o meu Alegrete, famoso por tudo e por nada, reconhecível pela sua "diferença" no cenário gaúcho.
A cidade grande, com seus teatros, bares e festas famosas absorvem-nos num conveniente anonimato, possibilitando maior crescimento individual. Nossa alma gaudéria , no entanto, revigora-se a cada volta, revendo os amigos, recebendo cumprimentos afetuosos pelas ruas, inteirando-se do destino de cada um e da cidade - berço de todos.
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O céu de Alegrete é mais próximo, as estrelas mais brilhantes e a lua cheia ilumina, escandalosa, cada recanto do pago. É um verdadeiro planetário à noite e uma festa luminosa durante o dia, quase sempre com "céu de brigadeiro".
Vista da cidade ao longe, em noite de lua cheia.
O verão é mais quente, o inverno mais gelado e o Minuano serpenteia com gosto por entre o Ibirapuitã e o Caverá.
Isso faz da nossa gente gaúchos mais campeiros, prendas mais faceiras, poetas mais inspirados e escritores mais "modestos", como esta que vos fala e que, modéstia à parte, também é alegretense. Ainda bem!
Setembro de 1993.
Nota da webmaster:
(*) MARIA LUIZA VARGAS RAMOS nasceu em Alegrete em 09-11-1952, filha do casal Gaudêncio Ramos e Conceição Vargas Ramos. Professora de Português, Inglês e Literatura no Ensino Fundamental, Médio e Superior, graduou-se e pós-graduou-se em Letras nas seguintes instituições de ensino: Fundação Educacional de Alegrete - atual URCAMP (Graduação); UFSC (Mestrado) e UFRGS (Doutorado), na área de Literatura Brasileira. Escreve no jornal Gazeta de Alegrete desde os quinze anos, como colaboradora e cronista. É radicada em Florianópolis/SC, onde se classificou por duas vezes em Concursos Literários dos Servidores Estaduais (2005 e 2006). Em 2007, lançou o seu primeiro livro: Gazeteando - Crônicas de Um Pequeno Grande Mundo. No seu blog (SIMPLESMENTE MARIA - http://vargasramos.zip.net/ ) escreve crônicas quase diariamente.
A PRAÇA E O CONSULADO
Andréa Motta de Oliveira (*)
Crônica publicada na Gazeta de Alegrete.
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A Praça Getúlio Vargas é o coração de Alegrete! É impressionante a circulação diária de pessoas e a explosão demográfica que acontece aos domingos e feriados... Os carros circulam sem parar, estacionamento é uma dificuldade, todos disputam o melhor lugar, lá vêem e são vistos... Nas festas do final de ano então, nem se fala! Muitos retornam... Amigos que havíamos perdido no tempo e no espaço... Histórias, recordações e novidades pintam do nada, tudo acontece!
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Inevitável! Chegam à terrinha loucos de sede! Deve ser culpa do clima... Rumam direto ao Quiosque, que funciona como “Consulado do Município”... Moacir, Ademir e Ildo (proprietários) são os cônsules e prestam excelentes serviços... Inclusive como ponto de informações turísticas para os que estão um pouco perdidos... Logo, acontecem os encontros... O Quiosque funciona como escritório e sala de visitas... A Praça Getúlio Vargas é o quintal de nossas casas... Por lá passamos a infância e juventude, namoros e beijos se misturaram ao gosto do chimarrão...
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O espírito farroupilha, faz com que os filhos dessa terra sempre que possível retornem... Uns de mala e cuia, outros dão uma passadinha para matar a saudade... Os forasteiros que bebem a água do Ibirapuitã rezam a mesma cartilha... Certamente chegaremos à chamada melhor idade, como freqüentadores de carteirinha do Consulado, e cada vez mais íntimos dos cônsules... Que bom se esse povo todo que está ausente, espalhado pelos cinco continentes, aparecesse para uma boa noitada... Fico só imaginando... Eles costumam referenciar o Quiosque como o melhor lugar do mundo... O que eu concordo plenamente! Sentem inveja de nós, afinal, o Quiosque é logo ali...
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As mesas estão lotadas, porém sempre encontramos um conhecido que chegou primeiro, e nos convida a sentar... Depois de estarmos por lá é uma perdição... Gritamos logo:_”Por favor, a mais gelada que tiver”! E ficamos esperando... Um bom papo com amigos e “loiras geladas”, lá se vai mais uma saideira... Aí é que mora o perigo! Pobre do Ibirapuitã na hora de curar essa ressaca... Haja água! Muita água!
Não me perguntes onde fica o Alegrete, segue o rumo do teu próprio coração...
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Nota da webmaster:
(*) ANDREÁ MOTTA DE OLIVEIRA nasceu em Alegrete/RS, em 16-12-1963, filha de Celestino Nogueira de Oliveira e Tânia Motta. É formada em História Geral (Porto Alegre/RS), com pós-graduação em História da Arte (Lisboa/Portugal). Reside em Alegrete, onde é professora (atual Diretora do Museu Oswaldo Aranha), cronista do jornal Gazeta de Alegrete e produtora rural.
IMAGENS de ALEGRETE
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Residências antigas na praça principal de Alegrete.
A imagem mostra um conjunto de residências antigas de Alegrete, junto à praça principal (Praça Getúlio Vargas). Da dir. para esq., estão as residências que pertenceram a Alpheu de Sá Dornelles, Francisco Carlos de Sá Dornelles, Cel. Antônio de Oliveira Macedo e Amadeu Bicca de Medeiros. Esta última propriedade hoje é o MUSEU de ARQUEOLOGIA e ARTES JOSÉ PINTO BICCA DE MEDEIROS.
A foto dos casarões é da autoria de Edelweiss Bassis, faz parte do livro Cidades Gaúchas, organizado e editado pelo poeta Luiz Coronel, e ilustra o poema Alegrete do poeta alegretense Élvio Vargas. A foto menor inserida na parte superior é a escultura do Negrinho do Pastoreio, de Vasco Prado - "O Negrinho Triunfante" - colocada no centro de um dos parques da cidade (Parque Rui Ramos).
Nota da webmaster:
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O prédio do atual MUSEU de ARQUEOLOGIA e ARTES de ALEGRETE (MAARA) foi erguido em 1898, por Amadeu Bicca de Medeiros, que deixou por herança a seu filho único José Pinto Bicca de Medeiros. Por doação do Dr. José Bicca de Medeiros, o prédio n° 158 da Praça Getúlio Vargas passou à propriedade da Fundação Educacional de Alegrete (FEA), à época mantenedora dos cursos superiores na cidade, juntamente com um acervo de 70 obras de renomados artistas plásticos. Posteriormente, a FEA foi integrada à URCAMP - Universidade da Região da Campanha, financiada e administrada pela Fundação Átila Taborda, de Bagé-RS.
O Museu de Artes José Pinto Bicca de Medeiros foi inagurado a 01 de dezembro de 1985, contando com o inestimável trabalho da Profª. Vera Álvares da Cunha e do Prof. Carlos Roberto Leães, que aumentaram o acervo para cerca de 500 obras de arte. Este acervo compõe-se de esculturas (metal, madeira, terracota), desenhos, pinturas e gravuras (procedentes de 30 países).
Desde 25 de setembro de 2001, passou a denominar-se Museu de Arqueologia e Artes José Pinto Bicca de Medeiros, quando o NEPA - Núcleo de Ensino e Pesquisas Arqueológicas - passou a integrar a instituição.
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Casarão no Parque Dr. Lauro Dornelles - antiga escola profissionalizante (agrícola) para meninos carentes, a qual funcionava em regime de internato, idealizada pelo Prefeito (Intendente) à época, Dr. Lauro de Sá Dornelles. O local era conhecido como Patronato – e assim o é até hoje. Posteriormente, o Intendente doou a área à Associação Rural de Alegrete, que o detém até os dias de hoje. Em homenagem ao seu criador, o local é chamado de Parque Dr. Lauro Dornelles e sedia eventos rurais do município.
Fonte dos dados históricos: Centro de Pesquisas e Documentação de Alegrete (CEPAL) - Diretor: Prof. Danilo Assumpção Santos.
Fotos: M. Cechella e http://www.onossoguia.com.br.
AS RUAS DE ALEGRETE
Hélio Ricciardi"As ruas de Alegrete são um tanto estreitas.
Quem as projetou teria necessidade, assim tanto, de calor humano?
Acho que sim, eu não poderia ter nascido e sobrevivido sem o calor humano que eu sinto nessas ruas."
(...) "Batizei de Alegrete / os reinos silenciosos / da cidade que inventei..." (Élvio Vargas)
Calçadão - rua Gaspar Martins
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Calçadão - rua Gaspar Martins.
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Clube Casino Alegretense.
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Ponto de encontro dos homens, na praça (em frente ao Quiosque e próximo ao Clube Casino Alegretense).
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Quiosque da praça - bar e restaurante.
À esquerda, há uma parte coberta e outra com mesas ao ar livre.
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Quiosque da praça - à direita, ficam mesas ao ar livre, muito freqüentadas nas noites de verão e primavera.
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Praça Getúlio Vargas - caminho em direção à rua Mariz e Barros.
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Praça Getúlio Vargas - caminho em direção ao Arco do Triunfo (Monumento ao Expedicionário), em homenagem aos pracinhas brasileiros que lutaram pela FEB (Força Expedicionária Brasileira), na II Guerra Mundial.
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Igreja Matriz, ao fundo. À direita, o Arco do Triunfo (Monumento ao Expedicionário), na praça principal. No alto deste, há uma inscrição Dulce et decorum est pro patria mori
("É doce e digno morrer pela Pátria").
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Praça Getúlio Vargas. Ao fundo, à direita, vê-se o chafariz.
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Praça Getúlio Vargas - estátua em homenagem às mães.
Ao fundo, a lateral do monumento à FEB (Arco).
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Praça Getúlio Vargas - chafariz.
O chafariz foi uma oferta da comunidade libanesa à cidade.
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Praça Getúlio Vargas - no fundo, à esquerda, o chafariz.
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Praça Getúlio Vargas - ao fundo, no centro da praça, a estátua em homenagem ao ex-intendente (prefeito) Manoel de Freitas Valle Filho ("Manequinho").
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Prédio da Prefeitura, em frente à praça principal.
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Palacete da Família Dornelles, na praça principal, em diagonal à Igreja Matriz, hoje residência do neto Alpheu ("Féco") Dornelles.
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Residências antigas, em frente à praça principal.
A primeira pertencia ao advogado e pecuarista Dr. José Pinto Bicca de Medeiros; hoje é o Museu de Artes e Arqueologia (MAARA).
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Residências antigas, em frente à praça principal.
As duas primeiras (da esq. para dir.), hoje são usadas para atividades comerciais; apenas o palacete dos Dornelles (última, à direita) permanece como residência da família.
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Prédio da URCAMP - Universidade Regional da Campanha, ao lado da Igreja Matriz, em frente à praça principal. O prédio ao fundo, à direita, também pertence à URCAMP-Alegrete (antes foi agência do Banco do Brasil).
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Av. Freitas Valle e, ao fundo, colégio Oswaldo Aranha.
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Instituto de EducaçãoOswaldo Aranha, o mais tradicional colégio da cidade, por onde passaram várias gerações de alegretenses.
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Colégio Oswaldo Aranha - após pintura e reforma (março/2007).
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Colégio Divino Coração ("colégio das freiras").
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Colégio Divino Coração - rua Gal. Neto.
Na esquina da próxima quadra, vê-se a parede lateral do Clube Casino e, ao fundo, a torre da Igreja Matriz.
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Escola Estadual Demétrio Ribeiro, na rua Gal. Sampaio.
Importante colégio de Ensino Fundamental (primário). Há alguns anos, incluiu o Ensino Médio.
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Centro Cultural Adão Ortiz Houayeck (nome em homenagem a um ex-prefeito da cidade).
Fica na Av. Freitas Valle, na praça Oswaldo Aranha, em frente ao colégio do mesmo nome.
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Prédio da antiga Estação Ferroviária (VFRGS - Viação Férrea do RGS).
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Prédio do antigo armazém de cargas da Viação Férrea do RGS, hoje abriga o CEPAL - Centro de Pesquisa e Documentação de Alegrete, criado e dirigido pelo Prof. Danilo Assumpção Santos.
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Vista do Largo da Viação Férrea: máquina Maria Fumaça e Estação Rodoviária.
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Largo da Estação Ferroviária, onde está exposta uma antiga máquina de funcionamento a vapor (à epoca, chamada de Maria Fumaça), que puxava os vagões de cargas ou de passageiros.
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Máquina Maria Fumaça.
OUTRAS IMAGENS de ALEGRETE
Para ver uma COLEÇÃO DE FOTOS sobre ALEGRETE, vá nos seguintes endereços:
Álbum de Marília Cechella no Orkut: http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=8962436284311895098&aid=1204835283 (parte I) - Ruas e locais da cidade.
Álbum de Marília Cechella no Orkut: http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=8962436284311895098&aid=1205024292 (parte II) - Ruas e locais da cidade.
Álbum de Marília Cechella no Orkut: http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=8962436284311895098&aid=1205798902 (parte III) - Calçadão.
Álbum de Marília Cechella no Orkut: http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=8962436284311895098&aid=1208692743 (parte IV) - Praças da cidade.
Para ver uma coleção de fotos de PRÉDIOS e CASAS ANTIGAS do ALEGRETE, vá nos seguintes endereços:
Álbum de Marília Cechella no Orkut: http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=8962436284311895098&aid=1205014875
Álbum de Oly Moreno José de Freitas no Orkut: http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=17603605658522581203&aid=1202648082
Para ver um VÍDEO sobre Alegrete, clique em http://www.alegreteonline.com/index.html.
O vídeo (dividido em seis partes) mostra a cidade, sua história, suas atividades econômicas, sua gente, sua arte na música e na dança, e seus dois filhos mais ilustres (Mario Quintana e Oswaldo Aranha).
Esse sítio também tem magníficas fotos panorâmicas da cidade, bastando clicar nas setas que abrem as cortinas da tela.
FOTOS do PAMPA ALEGRETENSE
Álbum de Mário Afonso: http://www.flickr.com/photos/gineteando/
Álbum de Eridiane Lopes da Silva: http://www.flickr.com/photos/9730046@N07/ (clicar nos álbuns: Alegrete-RS e Foto é arte).
Página da Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã (APA): ver imagens AQUI.
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Para ver outras