ÉLVIO VARGAS
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O poeta ÉLVIO VARGAS nasceu em Alegrete/RS em 14-10-1951 e reside em Porto Alegre/RS, desde 2001.
BRINQUEDOS DE JÓ
"Depois das contrações, apareci.
Duas palmadas fortes e uma sede ardente, me despertaram.
O seio anunciado, estava seco. Nunca chorei pelo leite não derramado.
Troquei as dores do Édipo, pelas feridas de Rômulo. Um destino duro, sempre me guiou.
Domino pouco a arte das palavras. Só isto basta, para ventar céu, infernos e mortalha.
Guardo a sete chaves, desde os meus primeiros dias: ferramentas, utensílios
e os mais estranhos brinquedos de Jó."(Élvio Vargas, abril/2006)
CRONOLOGIA 1951
A 14 de outubro, nasce ÉLVIO VARGAS em Alegrete-RS, filho do ourives Alvimar ("Marzinho") Ogaiar Vargas e da enfermeira Wilma Pereira Vargas.1958
Inicia o Curso Primário no Grupo Escolar Demétrio Ribeiro, em Alegrete-RS e, logo depois, faz a 1ª e a 2ª séries do Curso Ginasal (1º grau) no Instituto de Educação Oswaldo Aranha (IEOA). A seguir, abandona os estudos em 1969, vindo a completar o Ginásio através do Curso Supletivo.1959-1968
No interstício deste período, recebe aulas particulares de três professoras em Alegrete-RS: Brandina Pesce, Maria Castro e Maria Faraco."Brandina Pesce, numa pequena sala iluminada, vigiada através da vidraça, por uma parreira minguante. Maria Castro, portando lápis bem apontado, transitava pelos avarandados e o franco biquinho lábio-semântico da Maria Faraco pronunciando: Le jour de gloire est arrivé. Estas professoras estão eternizadas na minha lembrança" (E.V.).
1969
Escreve desde os anos sessenta, tendo publicado o seu primeiro poema em setembro de 1969, no jornal Gazeta de Alegrete.
1970
Serve como soldado no 6º Regimento de Cavalaria, em Alegrete, de 15 de janeiro a 18 de novembro. Entretanto, o Poeta não guarda boas recordações do seu período de caserna."No dia 15-01-1970, acompanhado por José Airam B. Vasconcelos, Mocho Peres, Augusto Zé Colméia, Renato Ferrugem Paim, Gordo Léo e Saulo Medeiros, subi ao "Morro Dos Ventos Uivantes" para quitar minha dívida com o serviço militar. Sete Homens e um Destino. É muito difícil alguém ter idéia do que foi a nossa passagem. A ditadura militar governava com mãos de ferro. Amigos e conhecidos estavam presos nos quartéis. Passeatas, torturas, crimes e Copa do Mundo. A Roda-Viva do Chico estava cada vez mais viva. O jogo era duríssimo e nós, uns guris com 18 anos e poucos meses. Entrei como soldado raso e saí mais raso ainda" (E.V.).
Abaixo, transcreve-se um texto em que ÉLVIO VARGAS expressa as marcas que lhe ficaram sobre o triste episódio de afogamento de Zoroastro, um jovem que, à sua época no 6º Regimento de Cavalaria, freqüentava o Curso de Sargentos. Conta-nos o Poeta que, conforme boatos da época, o pobre moço chegou a dizer para o instrutor que não sabia nadar, mas ouviu do mesmo: "O bom cabrito não berra!" "Não deu tempo de berrar",- reage o Poeta. "Ele afogou-se antes. Foi aberta uma sindicância, mas saímos em 18 de novembro, sem saber o desfecho. "
ZOROASTRO
A ponte do trem, que cruza rente às fortificações militares, recebendo águas da restinga e canalizando-as com o rio Valêncio, formara um dilúvio pelo volume das cheias. A notícia escapou do Alto Comando, pelo cozinheiro dos oficiais, que na última sexta-feira de junho, haveria um exercício, com travessia por cordas, na parte mais longa dos vãos. A cinzenta manhã desta manobra alcançou-me junto aos cavalos, pois estivera de cavalariça na noite anterior. O movimento era intenso com viaturas e equipamentos. Assistíamos quietos a crescente odisséia. Perto do meio dia, um vento frio foi brotando do fundo das baias. Gélido seguiu nos flancos, invadindo paiol, enfermaria, garagens e esquadrões. Era o mesmo que soprara no Egito, semeando a praga dos primogênitos. As duas e pouco da tarde aportou a notícia. Zoroastro, o aprendiz de sargento, recebera uma ordem para entrar no rio. Mergulhou e nunca mais foi encontrado. Os olhos verdes dos sarandis, a luz morta das baionetas e a reluzente chama das esporas não conseguiram guiá-lo. Morreram afogados os sonhos do aluno persa. Ao deixar a caserna, reli a célebre frase do General Osório: “É fácil a missão de comandar homens livres, basta mostrar-lhes o caminho do dever” (E.V.).
Nota da Webmaster: Os parceiros de caserna de Élvio Vargas acima citados com seus apelidos são, respectivamente, Ângelo Garaialdi Peres, Augusto Trindade, Renato Paim (falecido) e Léo Vasconcelos da Fontoura.
1971
Conclui o 1º Grau pelo Supletivo."Aconselhado maternalmente pela professora Cecília Costa Guterres, numa psicologia superior a Piaget e com uma didática de cartesiana ternura, concluí o primeiro grau pelo Supletivo. Horas de combate e aulas sem trégua festejaram a vitória. Polinômios, o poeta nunca mais esqueceu" (E.V.).
1972
Retoma os estudos regulares no IEOA, mas abandona definitivamente os bancos escolares no 1° ano Científico (2ºgrau).
De julho a dezembro deste ano, trabalha como redator no jornal Gazeta de Alegrete.1973
Muda-se para Porto Alegre-RS e começa a trabalhar no Banco Iochpe-Crédito, Financiamento e Investimentos, como analista de crédito, cargo que ocupa até setembro/1974."Ano de 1973! Este talvez seja o horário mais cardíaco da vida do poeta. Os brinquedos recolheram-se às suas caixas, as pandorgas perderam os rumos e a ludicidade exigia um invento novo. As paixões mudaram os endereços e o manuscrito virou poesia. A mão que tomava emprestado o braço da professora, agora sentia pulsações. Os amores correspondidos eram proscritos. A primeira musa despediu-o, ordenando-lhe que não queria mais vê-lo. Ficara noiva. Um olhar negro, marejado de renúncia, umedeceu o ar. A segunda, tragicamente, comunicou-lhe que a mãe praguejava, gritando: Adjutórium nostrum in nómine Dómini. Traduzido do latim clássico para o vulgar, significa: Ele e os amigos saíram da lata do lixo. Na terceira, a mãe bradou: Este menino, além de ser mais novo do que tu, está reprovado na terceira série ginasial! Cansado, vai morar em Porto Alegre, para desafiar a mãe de outras musas" (E.V.).
1974
Em setembro deste ano, volta para Alegrete em férias do Banco e lá decide permanecer.1975
Trabalha como escriturário no Banco Bradesco, em Alegrete, durante seis meses.1976
A partir de agosto, passa a trabalhar como Inspetor Regional de Seguros da Bamerindus Cia. de Seguros, com sede em Santa Maria-RS, cargo em que permanece até dez/1985. Por conta desse trabalho, reside em S.Maria durante um período (de 1976 a julho/1979), retornando após à Alegrete-RS.1978
No dia 28 de janeiro, casa-se com a alegretense Brites Francisca Dorneles Rodrigues, jornalista formada na Universidade Federal de Santa Maria-RS (UFSM). Brites é funcionária pública e trabalha na Assessoria de Imprensa do Procon em Porto Alegre-RS.Poucos dias antes do seu casamento, ÉLVIO e BRITES sofrem um acidente automobilístisco quase fatal, na estrada entre Santa Maria-Cachoeira do Sul/RS.
"Treze dias antes, numa sexta-feira 13, às 13 horas", informa o poeta, sinalizando um cabalístico evento. "Maus fluidos reinaram naquele instante".
1979
Em 30 de abril, nasce em Alegrete-RS seu filho Caian Rodrigues Vargas, advogado formado na UNISINOS (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), São Leopoldo-RS.1982
Em 29 de setembro, nasce em Alegrete-RS sua filha Maina Rodrigues Vargas, universitária do curso de Turismo na FARGS (Faculdades Riograndeses), Porto Alegre-RS.1984
Passa a fazer parte do Conselho Municipal de Cultura de Alegrete-RS, onde foi vice-presidente e tesoureiro.Escreve textos, com freqüência, para apresentar artistas plásticos de Alegrete-RS. Entre estes, Maria Clara Leiria dos Santos.
1986
Abandona a Bamerindus Cia. de Seguros e passa a atuar como Gerente de Vendas da firma Kurtz Comercial de Veículos-Revenda Ford, em Alegrete-RS, permanecendo neste cargo até março/1988.1987
Participa do Concurso Laci Osório no cidade de Alegrete-RS, em maio, obtendo o 1° lugar com o poema Sem Reprise:"Quando eu me convoco/ alista-se em mim / este tempo trêmulo / de noites repassadas./ Não me repriso/ sou sempre assim/ este elevador sem sobrenome/ instalado nos prédios/ de tua intimidade/ sonho nu/ no rodapé de tua notícia./ Não me repriso/ sou sempre assim/ este desejo classificado/ no anúncio dos ventos/ o tombadilho do teu último navio/ ancorado na maresia/ do meu olhar./ Hoje sou estas/ pegadas de louça/ na cristaleira frágil/ de tua memória/ pandorga cega debruçada/ nos esconderijos da lua./ Sou sempre assim/ viu!!! "
O seu poema Sem Reprise é publicado na Revista Ponto, da extinta Fundação Educacional de Alegrete.
1988
Classifica-se no Concurso Mário Quintana em Porto Alegre-RS, com Menção Honrosa, com o poema Paixões Urbanas:"Hoje estou desenhado/ no out-door dos teus subúrbios/ sou esta conspiração silenciosa/ nos utensílios do teu camarim/ um holofote circular/ olho a olho no teu olho/ vaga impressão de possuí-la/ sem posse./ Me ocorre de vez/ uma lenta preguiça/ de filmar os caminhos/ do teu metrô, devorar-me/ na essência perfumada/ dos teus parques/ te cuidar na vidraça/ dos olhares, me derramar/ na volúpia dos teus bares./ Rotos bares no prêt-à-porter/ dos luares./ Hoje sou o sereno quieto/ das tuas madrugadas/ lento esforço de iluminar/ a tua ribalta noturna./ Me ocorre ainda/ uma vontade de suspirar/ bêbado na ânsia de tuas/ avenidas, largas avenidas/ salpicadas de tontas/ e efêmeras paixões urbanas."
Seu poema Paixões Urbanas é publicado no livro do Concurso Mário Quintana de Poesia - EditoraTchê e Casa de Cultura Mário Quintana.
De abril a setembro/1988, trabalha como comprador da Empresa Raul Englert & Cia, em Alegrete-RS.
Nota da webmaster:
Nesta empresa, ÉLVIO VARGAS trabalha junto ao engenheiro MÁRCIO SOUZA SANTOS, com quem desenvolve estreita amizade. Em razão disso, três anos mais tarde, quando Márcio veio a falecer em acidente automobilístico junto com a esposa Jocelene (Kelene) Pahim, ÉLVIO dedica um poema ao casal morto ("Caminhos"), publicado no jornal Gazeta de Alegrete à época, e que veio a fazer parte de seu livro de poesias "O Almanaque das Estações", editado em 1993. Esse poema está transcrito no registro de MÁRCIO, na homepage da família de João de Sousa Brasil (para lê-lo, clicar aqui).
1989
Classifica com Menção Honrosa Especial uma trilogia de poemas (O Poema Explícito, O Poema Marginal, O Poema Sem Nome), no Concurso Simões Lopes Neto, em Pelotas-RS.
O Poema Explícito
Este poema virá/ rosa do povo/ cristalino, como um/ sonho não sonhado./ Nas ruas virá/ ungindo a febre/ das manhãs iguais./ Invadirá a tua casa/ a minha e a dos outros./ Não será o poema/ do João da feira, do Dinarte/ da mercearia./ Virá pelo clarim das/ Virá pelo clarim das/ auroras incendiadas/ e mapeará tudo/ como um topógrafo/ que mede tardes e crepúsculos. / Então reiventaremos a vida / matricularemos a esperança / na idade dos começos / depois seguiremos/ como um baú de ritmos/ recitando a voz dos cânticos.
O Poema Marginal
O poema que trago hoje/ é um poema marginal/ fundido na insônia luminosa/ das madrugadas./ Avesso às coisas formais/ sem esta métrica terrível/ de um tempo sonâmbulo./ Vive pela força / da paixão que tem/ se expressa pela própria/ liberdade dos signos/ irreverentes ao rigor / dos estilos, anárquicos/ ao modismo das escolas/ mas legítimo diante/ dos grandes comícios da vida./ O poema que trago hoje/ está instalado/ numa armada coragem/ de viver.
O Poema Sem Nome
Meu poema/ não tem mais nome/ nem parente algum./ Vive no subúrbio/ de uma ternura abandonada/ insaciado espreita/ o vulto de uma nova paixão./ Desenhado está/ no parapeito de tua emoção/ morna. Do teu olhar gasto/ ele filma a trajetória/ de um novo verbo./ Minerador garimpa/ jazidas de uma linguagem nova./ Insurreto seduz/ palavras que falem /de tua sensualidade./ Proscrito mora/ nos ninhos úmidos/ da manhã que te acorda nua./ Meu poema não tem mais nome/ hoje é inquilino/ sem contrato/ no bloco das orações...
Participa da Revista Literária Ibirapuitã, de Alegrete-RS.
Organiza, em parceria com o poeta José Carlos Fernández de Queiroga, no final desse ano, a Coletânea dos Autores Diversos (conto-crônica-poesia) sobre escritores alegretenses.
Nesse ano, decide montar um negócio próprio e, em dezembro, torna-se proprietário de uma pizzaria em Alegrete (Pizzaria Da Vinci), atividade à qual dedica-se até abril/2000.
"Pizzaria Da Vinci! Das fundações até a última pedra, foram meses de suor, esperanças e sonho. Estava pronto o “Tabernáculo dos Pães”. Da Turquia vieram oréganos. Um carpinteiro chinfrim, amigo meu, construiu o balcão. Minha única preocupação era sua atração por essências etílicas. No dia combinado, fui buscá-lo ali perto da Ponte Seca. Bati palmas em frente ao portão, um cusco esquelético nem abriu a boca. Surgiu Gomercindo, com suas bombachas das “1001 Noites”. Parda, levemente tubiana. Ao chegarmos no templário gastronômico, todo cuidado era pouco. Qualquer movimento brusco poderia provocar um abalo sísmico no artesão. Puxou um martelo, encheu a boca de pregos, serrou madeiras, confundiu-se entre o ponto para bater e o polegar. Demoliu o último. Deu uma cuspida no dedo, mais álcool que saliva, e seguiu. Por incrível que pareça, o balcão ficou bem bonito! Só que assemelhava-se à Torre de Pizza. Fugia de sua própria gravidade, bailando. Coisas do Gomer. No dia 08 de dezembro de 1988, às 21 horas, um calor infernal. Minha mãe, os empregados, a Yeda e uns amigos de toda a vida esperavam os convidados. Aos poucos foram chegando as Mona Lisas e os Apóstolos. Estava inaugurada a Santa Ceia da Pizzaria da Vinci. Pelo dízimo, recebi 2400 noites de bonança. Em agosto de 1995, começou o flagelo bíblico do Alegrete. Duas das grandes profecias de José, o escravo vidente de Putfar, materializaram-se. As brancas espigas de arroz curvaram-se para o jugo negro dos ágios. Minha pequena Pátria empobreceu. Resistimos 1726 noites. Em abril de 2000, abandonei a regência da “Ópera Alegre das Minhas Mesas”. Fui para o exílio, com outros retirantes. Não faço mais pizzas. Hoje sirvo poemas e os distribuo em cestas básicas..." (E.V.)
Porta da Pizzaria Da Vinci - setembro/1996
Da dir. p/ esq.: O poeta Carlinhos Lopes - escritor Sérgio Faraco e seu
filho Bruno; o poeta Élvio Vargas e o escritor Alcy Cheuiche.
1989
Simultaneamente à sua atividade como comerciante, assume o cargo de Diretor de Compras da Prefeitura Municipal de Alegrete-RS (de 1989 a 1992). Mais adiante, retoma essa mesma atividade em outra gestão (de 1997 a 2000).1990
O poema Ibirapuitã Profissão Rio faz parte da Revista Ecológica Ibirapuitã, de Alegrete-RS.1993
Lança O Almanaque das Estações, seu livro de poesias, apresentado pelo romancista Alcy José Cheuiche e editado pelo Instituto Estadual do Livro (RS).
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Fragmento da apresentação do escritor alegretense Alcy Cheuiche no livro
O Almanaque das Estações de Élvio Vargas."O mago espiou pela fechadura da lua
na madrugada quieta dos poemas
trinca uma estrela de porcelana
talvez aí resida o insondável mistério
do poema
talvez...
aí...
Tenho inveja do Mário Quintana, este mago
que espia pela fechadura da lua. Surpreendido em
sua curiosidade por Élvio Vargas, um seu talentoso
aprendiz de feiticeiro."
Alcy Cheuiche
1994
A Revista Cultura Contemporânea publica o poema A Quinta Hora, dedicado a Mário Quintana e cita, na seção de Literatura, seu currículo e referências.1995
Dirige e edita o projeto literário A Palavra Escrita em Alegrete 1845 – 1995, retrospectiva dos 150 anos da literatura alegretense, com outras parcerias e o patrocínio da Prefeitura Municipal de Alegrete (gestão Dr. Nilo Soares Gonçalves). O projeto recebeu o apoio de várias empresas. Este livro traz no seu prefácio, um belo ensaio da professora alegretense Virgínia de Almeida Pires do Rosário. As capas foram desenhadas, sob encomenda, pelo artista plástico alegretense Pirata Leães.1996
A convite do poeta Luiz Coronel, participa com o poema Alegrete, da edição bilíngüe intitulada Cidades Gaúchas, com poesias e fotos, ao lado de Armindo Trevisan, Carlos Nejar, José Clemente Pozzenato e outros, livro este premiado na Feira do Livro de Porto Alegre/1997, como o melhor livro de poesias da Feira.ALEGRETE
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A cidade que herdei
tem rebanhos de pedra
semoventes de sombras
e um cavalo de tróia.
Negrinhos, salamandras e pastoreios
perseguidos por um rio
atiçado de vertentes
na misteriosa profecia
de suas águas
Ilhargas, hortos e casarios
quinchados de sóis poentes
Cartuns, Cartago
músicas que jamais acabam
enfeitiçando o mágico festim
dos meus brinquedos
Igrejas de torres afiadas
num céu azulado de sonho
vigiado a distância
por uma minúscula
lua de marfim.
Batizei de Alegrete
os reinos silenciosos
da cidade que inventei...
A foto acima também é do mesmo livro e é de autoria de Edelweiss Bassis. Mostra um conjunto de residências antigas de Alegrete, junto à praça principal (Praça Getúlio Vargas). Da dir. para esq., estão as residências que pertenceram a Alpheu de Sá Dornelles, Francisco Carlos de Sá Dornelles, Cel. Antônio de Oliveira Macedo e Amadeu Bicca de Medeiros. Esta última propriedade hoje é o MUSEU de ARQUEOLOGIA e ARTES JOSÉ PINTO BICCA DE MEDEIROS. A foto menor inserida na parte superior é a escultura do Negrinho do Pastoreio, de Vasco Prado - "O Negrinho Triunfante" - colocada no Parque Rui Ramos, na entrada da cidade, próximo à ponte do rio Ibirapuitã.
VERSÃO em ESPANHOL:
La ciudad que heredé / tiene rebanõs de piedra / semovientes de sombras / un caballo de troya. / Negritos, salamandras y pastoreos / perseguidos por un rio / atizado de vertientes / en la misteriosa profecía/ de sus aguas. / Ijadas, huertos y caseríos / quinchados de sol poniente. / Cartuns, Cartago / músicas que nunca acabam / hechizando el mágico festín / de mis juguetes./ Iglesias de torres afiladas / en un cielo azulado de sueño / vigilado a la distancia / por una minúscula / luna de marfil. Bauticé de Alegrete / los reinos silenciosos / de la ciudad que inventé...VERSÃO em INGLÊS:
The city I inherited / has stone herds of / moving shadows / and a horse of Troy. / Black boys, salamanders / and pastures / chased by a river / stirred up by streams / in the mysterious prophecy / of its waters. Flanks, garden and rows of houses / thatched by setting suns. / Cartuns, Cartaghe / endless songs / charming the magic feast / of my playthings. / Churches with sharp towers / against the blue of a dream sky / watched at a distance by a minuscule / ivory monn. / I batpized Alegrete / the silente kingdoms / of the city I invented...
Neste mesmo ano, publica o poema O Escafandro na Revista Sur, edição bilíngüe do Instituto Estadual do Livro, num intercâmbio literário dos escritores do Mercosul, sob a coordenação de Tânia Franco Carvalhal.
O seu poema O Anjo recebe Menção Honrosa no Concurso Nacional de Brasília - categoria Poesia.
O ANJO
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De todos os meus delitos
o mais grave
tem sido
esta insônia da eternidade.
Toda a expiação que cometi
foi punida
por esta metamorforse do anjo
mortalmente ferido
pelo abismo de vôo quebrado.
Sem asas sobressalentes
declaro-me apócrifo
perambulando pelas rapinas do céu.
As substâncias que trago
desvendam os mistérios do coração
e decifram os signos do pensamento.
Nomearam-me com exclusivos poderes
para a guarda de amores proibidos
e desejos tontos de esperança.
Fui alertado severamente
sobre o uso abusivo das paixões
e intensas overdoses de sono.
Foto: Edelweiss Bassis.Tive o corpo
totalmente sequestrado
não deixo sombras, nem vestígios
interfiro quando solicitado
pela mágica música dos presságios.
Instantâneo me transmuto
numa peregrina intenção de viagem.
Sou este fósforo de luz
na noite apagada
um anjo, mais nada.
Ainda em 1996, o músico alegretense Dattero (Deio) Escobar musica o seu poema Carmim. Para escutar a música ("um tango meio piazzolado", segundo informa o músico), clicar AQUI.
CARMIM
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A vida
vai fazendo de mim
um alambrador
das longínquas sesmarias da imensidão
a china, o truco, a tava
carrego pelo mundo afora
nesta minha sina de carmim.
Meus acordes são feitos
de saudades, lembranças e solidão
as milongas que escrevo
nascem dos remansos de um coração.
Meus tangos, a rancheira e o baião
vêm na flor do desespero
abrindo o teu vestido de xitão.
O braço do violão
te aperta
e toca por diante
toadas, valsas e canções.
Teu corpo
estirado nas léguas de capim
é um sono de quero-quero
um gaita de botão
que perdidamente dedilho até o fim.
A vida vai fazendo de mim
um alambrador
das longínquas sesmarias
da imensidão.
Em novembro deste ano, Élvio Vargas é homenageado pela Administração Municipal de Alegrete-RS, com uma placa de bronze no Núcleo Habitacional Ulisses Guimarães, contendo nesta, fragmentos do poema O João de Barro.
1997
Assume, pela 2ª vez, o cargo de Diretor de Compras da Prefeitura Municipal de Alegrete-RS (gestão 1997-2000).O poema Alegrete é parte integrante da Revista Ponto, editada pela Universidade da Região da Campanha-RS (URCAMP).
Tem dois poemas seus coreografados por Maria Waleska Van Helden e sua escola de dança, no espetáculo Tangentes, com a coordenação do coreógrafo uruguaio Ricaldo Alfonso, do Trio Montevideo, executando músicas de Astor Piazzola e a participação do bailarino argentino Fernando Conesa, sob a direção geral de Maria Waleska Van Helden, na cidade de Alegrete-RS.
Em novembro, recebe a Outorga do Mérito Legislativo, concedida pelo Poder Legislativo de Alegrete-RS, por seu profundo envolvimento com a Literatura.
1998
A convite da fotógrafa Edelweiss Bassis, escreve o poema O Sétimo Dia, trabalho que acompanha os textos de Armindo Trevisan e Luiz Coronel, na mostra fotográfica intitulada A Última Lua do Império Guarani, um ensaio de imagens sobre as Missões Guaraníticas do Brasil, Paraguai e Argentina.
Esta exposição já esteve no Museu da República do Rio de Janeiro-RJ, Casa de Cultura Mário Quintana, na Universidade de Pelotas-RS, no Centro de Estudos Brasileiros em Buenos Aires/Argentina, no Palácio do Governo de Florianópolis-SC e no espaço CIC dessa mesma cidade.1999
A convite do escritor e organizador Sérgio Faraco, participa com o poema O Espinilho da Antologia As Árvores e seus Cantores, Editora UNISINOS, uma coletânea luso-brasileira, com poetas de todas épocas, escrevendo poemas sobre suas árvores prediletas.
No final deste ano, é publicado o poema Alegrete no livro XX Poemas e Uma Carta de Amor para Alegrete, organizado por Gilmar Martins.
Em dezembro, recebe o Trófeu Amigo, instituído pelo Museu de Arte Dr. José Pinto Bicca de Medeiros, de Alegrete-RS, a todos aqueles envolvidos na produção cultural.
2000
Em março, é publicado o poema O Sétimo Dia, numa antologia bilíngüe organizada pelo poeta Luiz Coronel, intitulada O Legado das Missões, com fotos de Leonid Streliaev, Edelweiss Bassis e Fernando Bueno, com parcerias literárias de Armindo Trevisan, Carlos Nejar, Alcy Cheuiche, Simões Lopes Neto, Jaime Caetano Braum e outros.
Em abril deste ano, encerra o seu ramo de negócio na Pizzaria Da Vinci em Alegrete. Abandona, relutante, a sua Ítaca do Alegrete e muda-se novamente para Porto Alegre, quase 30 anos depois da primeira vez.
"Minha pequena Pátria empobreceu. Resistimos 1726 noites. Em abril de 2000, abandonei a regência da “Ópera Alegre das Minhas Mesas”. Fui para o exílio, com outros retirantes. Não faço mais pizzas. Hoje sirvo poemas e os distribuo em cestas básicas..." (E.V.)
Nota da webmaster:
A Pizzaria Da Vinci ainda existe e, segundo informações de quem a freqüenta em Alegrete, é um dos melhores locais que existe por lá. Depois que ÉLVIO vendeu e alugou as instalações da pizzaria, a situação econômico-financeira da cidade melhorou um pouco, mas já era tarde. O poeta já seguira rumo para a Capital.
Participa da Exposição Virtual Porto Alegre Corsário, com o poema Cais e o texto O Mármore da Lembrança, no site da fotógrafa Nádia Raupp Meucci. A partir desta data, mantém espaço na página, alternando textos encomendados para as suas exposições. Entre eles, o epigrama Traços Mineiros, que acompanhou a exposição homônima em Araxá-MG.
Recebe a Comenda do Mérito Oswaldo Aranha, junto com os conterrâneos Sérgio Faraco, Cira Neves Brites, Arnaldo da Costa Paz e Suzana Dorneles, outorga esta instituída pela Prefeitura Municipal de Alegrete-RS.
2001
Retorna a Porto Alegre e torna-se Corretor de Imóveis da Osmar Pinto Corretora, permanecendo neste ramo até julho/2003.Participa com os poemas Agrárias, Caim e a Última Ceia, do livro Antologia do Sul, com poetas contemporâneos do Rio Grande do Sul, editado pela Assembléia Legislativa, com a organização do poeta Dilan Camargo.
CAIM
O deus que me fez
usou sal, areia, granizo e pedra.
As águas prometidas
jamais choveram.
Minhas vinhas eram de sangue
o gosto acre, amargo
até a esperança encardiu.
Os linhos de Abel
eram persas
as miçangas gregas
os turbantes de Damasco.
Minhas sandálias couro cru
fiadas em peles de serpentes.
O corpo
uma arado de músculos
as mãos, retorcidas e aduncas
escondiam um sexo
de insônia e atrofia.
Outro Deus me proibia
eu teimava, praguejando
entre sóis incandescentes
e luas de martírio.
Minhas vestes tisnadas
gritavam blasfêmia, perjuro
pecado e sedução.
Meu coração era um fogo
minha palavra, danação.
Sete vezes me excomungaram
banido fui
das fronteiras do Éden.
Comigo foram
amores que não tinham pátria
sonhos encarcerados
conspiração, silêncios
êxtase e loucura
hordas de párias, mendigos
loucos, amanhecidos
tudo aquilo que não tem governo.
Depois da luz
eu vim.2002
A convite do professor de literatura sul-americana Albert Von Brunn, da Universidade de Berlim, participa da Antologia temática sobre trens intitulada Trilhos na Cabeça, com as parcerias de Sérgio Faraco, Moacyr Scliar, Mário Quintana, Manoel Bandeira e outros brasileiros e europeus, obra esta lançada em maio/2003 em Messina/Itália e, logo após, em Berlim/Alemanha.Nesse mesmo ano, o seu texto O Império dos Alcizais é publicado na revista Autores Gaúchos, em homenagem ao romancista Alcy Cheuiche, editado pelo IEL – Instituto Estadual do Livro-RS.
Ainda nesse ano, o seu O Alfabeto do Corpo faz parte da abertura do livro Os Anais da Dança, obra que reuniu todos os assuntos tratados em oficinas e palestras do 1º Congresso Internacional de Dança, realizado em Porto Alegre-RS, presidido pela coreógrafa e bailarina Maria Waleska Van Helden.
2003
Em julho, deixa a Corretora de Imóveis e, a seguir, assume como Captador de Recursos para Projetos Culturais no SESC (Serviço Social do Comércio), Porto Alegre-RS, onde trabalha até maio/2004. Logo após, é submetido a uma cirurgia e recebe licença médica para tratamento de saúde.Participa com o poema O Sétimo Dia da revista literária Cadernos de Literatura nº 11, editada pela AJURIS.
2004
Idealiza, organiza e edita, através do Fumproarte, o livro Torres da Província, um resgate histórico de 12 Igrejas de Porto Alegre-RS, com textos de Armindo Trevisan, Alcy Cheuiche, Moacyr Flores e fotos de Edelweiss Bassis. Escreve, exclusivamente para esta obra, o texto Salmos de Cedro, composto de 12 versículos no formato de quartetos.
O seu poema O Sétimo Dia é recitado na Semana Cultural das Missões, festa realizada no sítio arqueológico em frente ao secular pórtico da Catedral (1735-1745), nas ruínas de Sâo Miguel da Missões-RS.
2005
Os poemas Carmim e o Espinilho são publicados na Coletânea da Poesia Gaúcha, editado pela Assembléia Legislativa do R.G.Sul, tendo como organizador Dilan Camargo.2006
O seu texto Os Reinos de Trebizonda integra, com outros, as homenagens de vários escritores na Antologia dos 100 anos para o poeta Mário Quintana, editada pela Companhia ZAFFARI, sob a coordenação de Luiz Coronel.O seu poema A Torre do Sono, recitado pelo ator João Batista Dimmer, abre a festa de comemoração do Centenário de Nascimento do Poeta Mário Quintana, no dia 30 de julho de 2006, na Casa de Cultura MQ, em Porto Alegre. Esse poema foi escrito no dia da morte do poeta.
TORRE DO SONO
Vai, Mário, vai assim
deslizando entre os dedos
o vento de vidro da infância.
Vai, contigo o carrilhão
da vida, escoltado
pela fúnebre orquestra dos grilos.
Vai, Mário, vai assim
carregado pela alma de cristal
da tua cidade de brinquedo.
Vai com esse jeito infinito
de quem solta moedinhas
no rastro das manhãs.
Vai para Bizâncio
lá não dormem os pássaros
nem os poemas.
Vai, poeta,
a morte é a torre do sono.
Lança o seu segundo livro de poemas Água do Sonho, na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre/RS, no dia 04 de outubro/2006 (foto). A obra apresenta estudo crítico de Armindo Trevisan (doutor em Filosofia, ensaísta e poeta) e Sérgio de Castro Pinto (poeta, ensaísta e Professor de literatura da Universidade Federal da Paraíba).
As ilustrações são do artista plástico alegretense Pirata Leães. A impressão do livro é independente, com custeio do autor (e-mail) e de alguns amigos.
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Élvio Vargas recebendo os cumprimentos do seu conterrâneo,
o escritor Sérgio Faraco (Casa de Cultura Mario Quintana).
2007
Faz a apresentação do seu livro Água do Sonho aos seus conterrâneos, no Museu Oswaldo Aranha em Alegrete, na noite de 24 de maio .
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Élvio Vargas junto ao seu conterrâneo,
o poeta Hélio Ricciardi (Museu Oswaldo Aranha).
Sobre o novo livro, assim manifestou-se uma poeta de sua terra:
Élvio Vargas
Jussara Monte Giacomoni
Poeta alegretenseVoou para a capital levando no alforje a leveza seus versos.
Aportou silencioso, como de costume, carregava nos bolsos "uma minúscula lua de marfim". E a cidade grande encantada com a mágica, curvou-se aos encantos do cantador de sonhos que escuta "músicas que jamais acabam, enfeitiçando o mágico festim dos seus brinquedos".
E a cidade grande o aplaude quando lança seu segundo livro, lá estão no núcleo, seus conterrâneos, herdeiros da mesma cidade de "lua de marfim" que "ele batizou de Alegrete", no seu sonho incensado de poeta.
"Canta tua aldeia e serás universal", ensinou Maiakowski. Elvio Vargas vem até nós com mais um presente lírico, pois gestou um novo livro com páginas oníricas de encantamento, cada uma delas a propor visitas às cirandas de paixões, que são mais profundas "nos reinos silenciosos da cidade que inventou".
Só os muito sensíveis conseguem mover-se no universo tortuoso dos sonhos, que a poesia propõe. E o mais torturado é o próprio poeta.
A cidadezinha dos poetas ganha mais uma estória, cada página salgada pelo mar da terra, cada palavra urdida com a benção do amor.
Élvio Vargas, o mágico da palavra, "vigiado à distância por sua minúscula lua de marfim" merece o aplauso.
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Élvio Vargas no lançamento do seu livro em Alegrete, rodeado de conterrâneas (24-05-07).
Élvio Vargas, o mascate da luz
Alcy Cheuiche (*)
Escritor alegretenseLeitura dinâmica do livro “Água de Sonho”, de Élvio Vargas.
Texto publicado na Gazeta de Alegrete, em 16-06-2007.
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Será concedido a todos o solitário poder da magia. As cores que encomendei chegaram luarizadas, isentas, batizadas pelo nome de Maria. Me entrego hoje, com bastante pressa, ao penhasco fundo das palavras. A dor que me dói é uma dor de exílio.
Um joão-de-barro exigiu, pela voz armada do canto, que cessassem os roncos do trator. O trapezista despenca, hipnotizando a platéia com sonoros arrepios. Almas, saudades, presságios e tempo são retalhos bordados com lã de outono. Delicado tecido de paciência, cerzindo o lento enigma da vida.
A escotilha azul do céu vigia a febre amarela dos casarios. A cidade que herdei tem rebanhos de pedra quinchados de sóis poentes. O Jordão corre quieto no curso lento de suas águas. Por mais que me fique o ar dos pássaros e a dança dos peixes, o que escuto é a dor que me dói, limpa na intenção da água.
Vêm de muito longe as vidas que vivem em mim. Pendurei a esperança na parte mais alta do varal. Me fotografaram assim nesta humana roupagem das marés. As borbulhas que na água brotaram não eram minhas nem tuas. O vento trazia um toque nupcial da vida com a morte.
Escritor Alcy Cheuiche, junto ao poeta Élvio Vargas, na Casa de Cultura Mario Quintana,
em Porto Alegre, na noite de lançamento do livro Água de Sonho (04-10-2006).De todos os meus delitos, o mais grave tem sido esta insônia de eternidade. Sou este fósforo de luz na noite apagada. O deus que me fez usou sal, areia, granizo e pedra. Fui alertado severamente sobre o uso abusivo das paixões. Enquanto falo, apareço na voz das putas, cafajestes, gigolôs. Sete vezes me excomungaram. Depois da luz eu vim.
Meus mortos trago encadernados no desenho das brumas. Todo o abismo é iluminado. Solitária é a chama que não invade o átrio de fogo. Retesado, o arco vibra na corda do violino. Soprou uma brisa encantada pelo desejo de meninos mortos. O carrossel começou a girar e até o tempo sucumbiu afogado na sua própria imagem. Vivo na intensa trama da cumplicidade que criei. Premedito cheio de esperança a chegada de um poema novo. Sou um estrangeiro mascate da luz boreal.
(*) Para conhecer a vida e obra do escritor alegretense Alcy Cheuiche, ir para http://assisbrasil.org/joao/cheuiche.htm
Os poemas de Élvio Vargas
Sérgio de Castro Pinto
Poeta, jornalista e Professor da Universidade Federal da Paraíba.Jornal O Norte Online
Quinta, 19 de Janeiro de 2006.Discorrendo sobre poemas sonhados, a exemplo do "Kublai Khan" e de "O Lutador", respectivamente de Coleridge e de Bandeira, o poeta Anderson Braga Horta chegou a uma conclusão lapidar: "(...) mas não sonha um poema aquele que em vigília não sabe fazê-lo".
Sonhar com o poema não é tê-lo, possuí-lo, dar-lhe forma e acabamento, uma vez que ele somente adquire existência real, palpável - e foros de poema propriamente dito - quando passa pelo crivo do poeta. E do poeta - diga-se de passagem - em estado de vigília.
Os poemas de Élvio Vargas parecem recém-saídos do sono e do sonho; parecem esfregar os olhos, abri-los e bocejar, para, só então, serem tomados do susto de nascer e de adquirirem a condição de poemas. Mesmo assim, ainda conservam o cordão umbilical parcialmente atado ao mundo informe que lhes deu origem. São, em suma, jorros de um sonho onde convivem harmoniosamente o caos e a cosmogonia, ambos faces de uma só moeda, quem sabe da moedinha perdida de que tanto fala Mario Quintana, para quem "O poema é um objeto súbito".
Pois bem, os poemas desse "Água do Sonho" são objetos súbitos, objetos do surto, do susto, do transe de um poeta que põe a respirar na superfície poemas que ainda liberam resquícios da placenta e que deixam escorrer o líquido da bolsa rompida para batizar seres e coisas com o sortilégio da linguagem.
Os poemas de "Água do Sonho" nascem de um só fôlego, pois possuem o medo de sucumbir antes de apreender a eternidade do frêmito de vida da condição humana: "Vêm de muito longe/ as vidas que vivem em mim/ na cumplicidade e no pacto/ sou nuvem, migalhas de sonho/ e pensamento/ o sono das águas/ neste rio invisível do vento/ Às vezes e não escassas/ trago o ritmo/ intuição e encantamento/ Sou um estrangeiro/ mascate da luz boreal/ É tarde demais/ me construíram assim/ com este estranho tecido/ de sangue, linguagem e paixão/ carregado de sóis amedrontados/ e luas transitivas".
Não por acaso, as metáforas genitivas inflacionam os poemas desse livro. E se elas surgem da necessidade urgente de aproximar o irreconciliável, já sabem de antemão do malogro de sua tarefa em celebrar as "núpcias dos contrários". Mesmo assim, tentam; e tentam porque é próprio do homem sonhar o impossível. Daí a avalanche - na poesia de Élvio - de termos que empulham a cartesiana e redutora compreensão do mundo dos empedernidos cultores do ponderável: "sóis amedrontados", "imensas luas/ duas renas ofegantes", "asas de jacarandá", "escamas de cedro", "cais do olhar", "pólen das lembranças", "mascate da luz boreal", "cardumes de rios", "cristais de insônia", enfim, termos e mais termos que, para os desprovidos de sensibilidade poética, parecem orquestrar uma espécie de "samba do crioulo doido". Vou mais além: os paralelos insólitos da poesia de Élvio Vargas assentam-se na necessidade humanística de aproximar os contrários para eliminar as diferenças.
Élvio Vargas, assim como Quintana e Sérgio Faraco, é natural de Alegrete. Alegrete, ma non troppo, uma vez que a sua poesia parece surda aos fonemas da alegria que emanam do nome Alegrete. E isso por uma razão muito simples: o seu lirismo evoca "o lirismo dos bêbados/ o lirismo difícil e pungente dos bêbados/ o lirismo dos clowns de Shakespeare". Vale dizer: lembra o seu lado "gauche" tão bem expresso no recurso estilístico utilizado nesse fragmento do poema "Os Vagões de Schindler": "Trilhos, dormentes, rebites/ nada mais me socorria/ Meu destino estava selado/ era ferro contra ferro/ fornalha acesa/ no calor dos medos/ Trem ____________".
Preciso dizer que a palavra Trem é o próprio Trem diante do traço que, iconograficamente, desperta no leitor a idéia de um solitário trilho sobre o qual, de modo inevitável, locomotiva e vagões irão descarrilhar? Assim como esse Trem, o eu lírico da maioria dos poemas de Élvio Vargas não "anda nos trilhos", descarrilha. É um eu lírico desaclimatado, estrangeiro, "gauche".
Enfim, sobre Élvio Vargas eu diria o mesmo o que já disse a propósito de Mario Quintana: "(...) é um fronteiriço não por ser natural de Alegrete, mas por extrapolar os estreitos limites da geografia para conceber um mundo de magias e de sortilégios".
Obs.: Sérgio de Castro Pinto é autor, entre outros livros, de Zôo Imaginário (poemas), Longe daqui, aqui mesmo - a poética de Mário Quintana (ensaio) e A casa e seus arredores (textos escritos para a imprensa e outros).
Élvio Vargas
Armindo Trevisan
Poeta, ensaísta.
Ex-Professor da UFSM e Professor aposentado da Universidade Federal do R.G.Sul.Prefácio do livro Água do Sonho, lançado em 04-10-06.
O poeta alegretense decidiu-se, enfim, a voltar ao picadeiro, e mostrar ao público “um baú de coisas vivas”.
Começo, pois, minha apreciação dos poemas de Élvio por esse extraordinário detalhe: a ligação de sua poesia com a realidade.O autor tem um alto conceito da técnica poética, e empenha-se, com responsabilidade, por exercitá-la. Consegue imprimir um ritmo convincente aos seus versos, utilizando, com discrição, também os processos sonoros. Mas o principal, para Élvio, não reside nessa perfomance. Para ele, o que importa é o mergulho nas profundezas (às vezes impuras) da existência. Vai à caça dos tesouros - obscuros ou resplandecentes - de uma autobiografia que se quer honesta, e algo estóica.
Notemos que tal atitude de realismo psicológico não dispensa o halo imaginativo que envolve a História, e nossas pequenas histórias individuais:
Quando inventaram tudo
sobraram para mim
este viveiro de ilusões quietas
e uma bicicleta
que até hoje pedalo
soprado pelos ventos
do fim do mundo.
Aproveito tais versos para apontar uma qualidade de Élvio que, particularmente, me impressionou: a sua capacidade para converter coisas simples, objetos do uso diário, em comunicação emotiva. Essa bicicleta, a que se refere, evoca dá um cidadão comum que, na parafernália industrial, eletrônica e informática da vida contemporânea, precisa ganhar o seu pão, ainda hoje, com o suor do rosto. A expressão “soprado pelos ventos / do fim do mundo” confere, à aparente trivialidade do ciclismo, uma dimensão que remete ao destino da criatura humana, a quem a morte - como dizia Albert Camus – confere uma dignidade que os animais e as coisas não possuem. A dignidade de uma consciência que sabe que vai morrer.
Aprecio, igualmente, o talento de Élvio em poetizar a partir de um determinado contexto sócio-econômico, de uma identidade, isto é, a gaúcha. O interessante é que o poeta o faz sem incidir no provincianismo. O sabor local está presente em seus poemas, associado, porém, à transcendência do símbolo. Este pertence ao poema, que pode ser lido aqui, ou em outra parte. Mas a universalidade da aldeia, de que falava Tchecov, não deixa o poema perder-se em divagações. O poema tem raízes, ainda que estas raízes exijam asas, senão por elas mesmas, ao menos pela exigência dos ninhos, donde voarão as aves.
Admiro, por exemplo, poemas como “Carmim”, “O Sétimo Dia”, “Colcha de Retalhos”, “Agrárias” e “Lamparinas”.
“Carmim” impressiona por sua simplicidade: “A vida/ vai fazendo de mim/ um alambrador/ das longínquas sesmarias da imensidão...”. Um verso como “a china, o truco e a tava/ carrego pelo mundo afora” evoca Borges, o que não é pequeno elogio, visto que o teor do poema nada tem a ver com o do grande argentino. Como não apreciar “Meus tangos, a rancheira e o baião/ vem na flor do desespero”? Acho maravilhoso “Teu corpo/ estirado nas léguas de capim/ é um sono de quero-quero/ uma gaita de botão/ que perdidamente dedilho até ao fim”. A referência ao quero-quero, por sua conotação subliminal de desejo, empresta aos versos levíssimo acento erótico, com sabor de água de arroio e pitanga... O poema “Sétimo Dia” é um gênesis da saga das Missões, que termina com “sarças de fogo, diáspora/ um crepúsculo para as terracotas/ ruínas, altares/ silêncio”.
Destaco, ainda, “Colcha de Retalhos”, cujos versos iniciais são encantadores:
Pendurei a esperança
na parte mais alta
do varal
O poema conclui com os seguintes versos, não menos belos:
Almas, saudades, presságios e tempo
são retalhos de uma pequena colcha
bordada com lãs de outono.
Delicado tecido de paciência
cerzindo com nós de orvalho
o lento enigma da vida.Poesia, no meu entender, é isto: a linguagem que vai buscar, no fundo do poço, a água mais pura da memória e da imaginação, sem esquecer que a própria roldana faz parte da vida, e que os braços, que a acionam, são braços reais, de alguém que sofre, sonha, ama e canta. O balde, gotejante de líquido, é a alma... que também goteja de emoção!
Obs.: Armindo Trevisan obteve muitos prêmios. É autor de vários livros de ensaio, em especial: A Poesia, uma iniciação à Leitura Poética e o Rosto de Cristo, que conquistou o Prêmio Sul de melhor livro do ano em Não-Ficção.
Pelas sesmarias da imensidão: Água do Sonho de Élvio Vargas.
Maria do Carmo Campos
Poeta, ensaísta e Professora da Universidade Federal do R.G.Sul.
Texto publicado no jornal Gazeta de Alegrete, em 19-05-07.Saberá mesmo um poeta em que consiste essa espécie de força oculta que o faz poetar?
(Mario Quintana)
A vida / vai fazendo de mim/ um alambrador/ das longínquas sesmarias da imensidão...
(Élvio Vargas)Poemas são objetos fluidos como o sonho, como as águas. Espertos, escorregam, não se deixam agarrar, querem permanecer livres das nossas convicções, certezas e mecanismos, voam para longe de alguns porquês e senões. Filha de uma antiga sabedoria, a poesia imita a leveza, a autonomia dos pássaros. No intrincado de suas redes, os poemas carreiam palavras, algumas incomuns, devolvidas em estado quase nascente.
Os poetas são servos das palavras, disse Octavio Paz. Atingidos pelas nervuras do verbo, descem a um penhasco fundo para extrair o ritmo, o som e o sentido que farão o poema respirar. Sob um tremor de vida, cada poema forma-se como um cristal, ressonância breve de um instante que faz vibrar, em simultâneo, algum sopro remoto da cadência de outros tempos. É assim que o poeta Élvio Vargas labora, entre um abismo de forças e a tenuidade do papel, gravando na timidez das páginas uma seqüência de objetos novos, até então inexistentes. Vigorosos, os poemas entalham-se sob a armadura breve de uma conquistada linguagem. Os versos, à luz de enredos e armadilhas, mobilizam o traçado de um auto-retrato. Em alguns poemas, mais enigmáticos e por vezes brevíssimos, sobrevoam dramas históricos e inquietações de largo alcance. Entre eles, Os vagões de Schindler, As ruas de Kafka, Abismo e Brevidade, reproduzindo situações e vivências labirínticas em afinidade com certa literatura contemporânea. Mais uma vez, o leitor escorrega ao tentar encapsular sentidos pulsantes, que deslizam nos intervalos. Por vezes, imagens inusitadas descrevem o fazer próprio da poesia, com suas profundezas e escavações (Escombros, Alquimia, O Escafandro). A dança imagética resulta em construções surpreendentes, que podem “abalar” o leitor, como queria Mario Quintana. É o caso de Febre, poema de alta voltagem, obtida por um conjunto delirante de imagens, cuja associação causa impacto: é poesia de condensação pictórica, impensada, convidando ao inusitado. Que analogias podemos encontrar entre a melancolia de um cenário urbano e as projeções de um claro-escuro matizado de azul e de amarelo?
O livro Água do Sonho busca outras formas e ultrapassa o plano mais evidente da expressão subjetiva. Armado com a intensidade do olhar e da imaginação, o poeta desce aos horizontes da memória. Ao descobrir-se, descobre versos conjugados entre instinto, razão e sentimento, que se sustentam no frágil paradoxo de umas asas de jacarandá. Na busca da própria face (As feições/ que me surgem agora...), o eu-lírico assume um tempo ampliado, habilitando-se à percepção de um contínuo reciclar: Vivi na rotação máxima de cada signo ou Vêm de muito longe as vidas que vivem em mim. Investido de um passado de águas e marés, fundante da poesia em língua portuguesa, Élvio Vargas sabe de viagens e “caravelas”, alicerçado embora nas raízes da sua terra. Ancorado na vaga dos navios (O dia de partir/ é aquele de sustentar/ auroras na proa/ e soltar âncoras/ nas ilhas do céu) , envereda por temas telúricos, sabendo transitar entre o próximo e o longínquo, o visível e o sonhado, o óbvio e o estranho, como se lê em Luz boreal.
O poema Espinilho remonta à instância bíblica da criação do mundo e instaura uma ordem democrática entre as árvores, que repartem os seus atributos, prescindindo da intervenção de Deus: ao modo de um patinho feio, um “espinilho” vê-se num calvário, apresentando-se esquálido e adunco, infestado de formigas. Objetos fluidos, os poemas de Água do Sonho transitam por largos temas, convidando o leitor a encontrar fragmentos que fazem pulsar o lado pictórico da religiosidade e dos mitos, alguns entranhados de história e de arte. É o que podemos extrair de Sétimo Dia, Salmos de Cedro e A última ceia, poemas que, por sua vez, contrastam com Profana, lugar do erotismo feminino. O mais novo livro do alegretense Élvio Vargas traz à luz um caleidoscópio de vivências, “migalhas de sonho e pensamento” que sobrevivem como se fossem cristais. Percepções do ilimitado e de um tempo/espaço barrado por fronteiras subjazem a uma escrita da voz poética que se contempla em rasgadas direções: É tarde demais/ me construíram assim/ com este estranho tecido/ de sangue, linguagem e paixão/ carregado de sóis amedrontados / e de luas transitivas.
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Fragmento da apresentação dos poetas Armindo Trevisan (P.Alegre/RS)
e Sérgio de Castro Pinto (Paraíba), no livro Água do Sonho, de Élvio Vargas." (...) Mas o principal, para Élvio, não reside nessa performance. Para ele, o que importa é o mergulho nas profundezas (às vezes impuras) da existência.
Vai à caça de tesouros - obscuros ou resplandescentes."(Armindo Trevisan)
" (...) São, em suma, jorros de um sonho onde convivem harmoniosamente o caos e a cosmogonia, ambos face de uma só moeda, quem sabe da moedinha perdida de que
tanto fala Mário Quintana."(Sérgio de Castro Pinto)
2007/setembro
Participa como ator coadjuvante, no papel de um padre jesuíta, no curta-metragem Um menino vai ao colégio, baseado na novela de Cyro Martins. O filme foi ao ar na RBS-TV, em 23-09-2007, como parte da Nova Série de Ficção da RBS-TV – “Escritores” (programas livremente inspirados em autores gaúchos). A direção foi de Marcello Lima e Liliana Sulzbach, com produção executiva de Zeppelin filmes.
Participa como palestrante, no Centro Cultural Érico Veríssimo da Fundação CEEE, em Porto Alegre/RS, dentro das atividades culturais do projeto PortoPoesia, com o tema Poetas da Literatura Fronteiriça, em 26-09-2007. Iniciou com Alceu Wamosy e depois resgatou raros poetas da poesia urbana e regional, muitos do Alegrete. Foi do simbolismo ao modernismo.
Sua palestra foi alvo de muitos cumprimentos e elogios da seleta platéia presente ao evento, pelo profundo conhecimento demonstrado em relação a nomes raros e importantíssimos da literatura fronteiriça. Também pelo seu conhecimento sobre os diferentes estilos dos poetas, sabendo situá-los nas suas diferenças e estruturas imagéticas. Élvio pôde demonstrar, ainda, através desse passeio pelo mundo dos poetas da região da Campanha, o seu sincero amor pela fronteira."A sensação que tenho é que, naquele momento, os poetas guiaram-me, para mostrar ao mundo que eles não viveram em vão, que alguém, em algum momento, declara-se fiel depositário deles e as cultiva até o fim dos seus dias. Talvez outro fator que tenha plasmado o bom resultado foi a emoção. Transformei-me num incêndio e ardi até a última gota de inspiração para exorcizar todas aquelas palavras e iluminá-las com os círios imortais da linguagem. Minha intuição confirma que, mesmo aturdido, fui feliz." (E.V.)
2007/outubro
É convidado para gravar uma entrevista no canal da Assembéia Legislativa do Estado-RS, no quadro "Expressão Cultural", em 15-10-07.
É o organizador e faz a apresentação do livro de poemas da poetisa alegretense CARMEM BICA BELTRAME, intitulado Escrito em Batom, lançado em São Leopoldo/RS, em 16-10-2007.
É escolhido o Patrono da Feira do Livro em 2007 - ano do Sesquicentenário de Alegrete, em 31-10-2007. O evento ocorreu de 20 a 24 de novembro, no Largo do Centro Cultural da cidade. Seu discurso na abertura da Feira foi uma prosa ensaiada, com fragmentos de vários poetas alegretenses de diversos estilos.
"Pinçei todos eles e os interliguei-os com uma única voz, pois aos ouvidos dos leigos eu os alcançaria pela música das palavras e, para os mais sensíveis, a relação de equilíbrio seria completa. Mas foi um desafio, tendo em vista que, na hora da leitura, as pessoas poderiam não assimilar o fio dramático melódico que unificava as vozes dos poetas e o clamor afetivo pela terra natal. Mas acho que acertei! O texto foi lido pela Jussara Giacomoni, que foi esplêndida. Interpretou as falas com emoção e postura cênica. O crepúsculo derramado sobre os pés e cabeças das pessoas invadiu-lhe as almas! O olhar de espanto de muitos foi assaltado por uma discreta lágrima! Todo o culto das memórias congelou o ar!!!" (E.V.).
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"O único salário de um poeta, e dos artistas em geral, são as palmas.
Não existe melhor resposta do que o estampido emocional das palmas.
Elas não atingem a vaidade, elas coroam o espírito."
(Élvio Vargas)2007/dezembro
É convidado para participar da equipe da Editora Território das Artes (Porto Alegre/RS), cuja homepage (www.territoriodasartes.com) foi lançada em 11 de dezembro.
2008
Participa da Coleção Pôépurú de Poesia de Língua Portuguesa, formada por poetas clássicos e contemporâneos dos oito países de língua oficial portuguesa: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Timor Leste. O editor é o poeta porto-alegrense Paulo Bacedônio. A Coleção Pôépurú é um Livro de bolso semi-artesanal, com tiragem de 50 exemplares, todos numerados.
Volume 1: 5 poemas barrocos, de Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711), Bahia, Brasil;
Volume 2: Sonetos, de Antero de Quental (1842-1891), Arquipélago dos Açores, Portugal;
Volume 3: De tudo hei de pedir conta, de Paulo Roberto do Carmo (1941), Rio Grande do Sul, Brasil;
Volume 4: Poemas, de António Soares (1934), Esposende, Portugal;
Volume 5: Cantares são-tomenses, de Caetano de Costa Alegre (1864-1890), São Tomé e Príncipe;
Volume 6: Esparsos vargaslumes, de Élvio Vargas (1951), Rio Grande do Sul, Brasil;
Volume 7: Haicais das cinco estações, de Raul Machado (1934), Rio Grande do Sul, Brasil.
Os primeiros cinco volumes já foram lançados e os dois últimos estão sendo lançados agora em 2008.
Seus poemas...
CONTATOS DE 1º GRAU
(Para Maina Rodrigues Vargas) Anos a fio, troquei