JOÃO DE SOUSA BRASIL

"(...) Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver."

(Cora Coralina)


Autor: Bruno Cechella, S.Maria-RS (2004)




Sobrenomes nesta página: BRASIL, ASSIS BRASIL, CARDOSO, CECHELLA, PAULA, DUARTE, OLIVEIRA, SANTOS, SENISSE, SILVEIRA, SOUSA.

Ascendentes imediatos: JOSÉ DE SOUSA BRASIL (FILHO) e FLORINDA DE OLIVEIRA CARDOSO.

JOÃO DE SOUSA BRASIL nasceu e viveu em Rosário do Sul-RS, sendo um educador famoso na cidade. Foi também arrendatário da Fazenda Saicán, pertencente à Coudelaria do Exército Brasileiro, localizada nesse mesmo município. Segundo consta, JOÃO foi forte estancieiro em São Gabriel/RS**. Militar, o Major João de Sousa Brasil foi figura de destaque na política rosariense, tendo capitaneado, junto com um grupo de outros líderes locais, a emancipação política da “Povoação do Rosário, sede da Freguesia de N. Sra. do Rosário”, a qual foi desmembrada dos municípios de Alegrete e São Gabriel (área que pertencera, anteriormente, a Rio Pardo) e elevada à categoria de Vila em 19 de abril de 1876. Somente alguns anos depois, por Decreto Presidencial, Rosário do Sul foi elevada à categoria de cidade, em 1º de janeiro de 1939. João faleceu em Rosário do Sul-RS, em 26-01-1873. Em sua homenagem, pela relevante atuação na comunidade rosariense, a avenida central da cidade recebeu o seu nome.

** Segundo dados na fls. 122 v., Livro 1 do 1º Notariado de São Gabriel ( obtidos por Luiz Antônio de Assis Brasil ).



Placa na avenida principal de Rosário do Sul-RS.


JOÃO de SOUSA BRASIL

Sobre a emancipação de Rosário do Sul-RS e seus líderes, no livro Rosário Centenário: 1876/1976, editado pela Prefeitura Municipal de Rosário do Sul, no ano do centenário da cidade (1976), sob a coordenação de Oliveira Silveira e cols. e a parte de História sob a responsabilidade de Clemente Duarte e Janira Duarte Senisse, consta o seguinte texto, na p.12-13:

... “Capitanearam a cruzada de emancipação política da Freguesia de N. Srª do Rosário, coroada de pleno êxito a 19 de abril de 1876, e elevada solenemente à categoria de cidade a 1º de janeiro de 1939, por força do Decreto-Lei Nacional 311 de 2 de março de 1938, os seguintes rosarienses: Cel. Manoel José Soares, Ten.-Cel. João Gualberto da Costa Lerina, Major JOÃO DE SOUZA BRASIL, Cel. Amaro Gomes Souto, Maximiano Germano do Monte, Manoel Estácio da Costa, João Patrício de Azambuja, Felizardo Pereira de Souza, José Antônio de Araújo, Francisco Gerardo Osório, José da Veiga, Luiz da Silva Figueiredo, Manoel Ferraz, Feliciano Antônio Alves, Melibeu Soares de Souza, Pedro Rocha, João Cardozo da Silva, Eduardo José de Farias, Damásio Alves, Desidério Antônio da Silva, Fidelis Paes de Freitas, Antônio José Ramos, Manoel Maria da Silva, José Rodrigues de Vasconcelos Filho, gaúchos rosarienses, e os alienígenas Henrique Franzen, José Civério, Cândido Mano, Eugênio Mano, Martim Bazeau, Carlos Delmond, Domingos Havan, Emílio Thadeu e João Ventura”....


JOÃO de SOUSA BRASIL

JOÃO de SOUSA BRASIL casou-se com MARIA FRANCISCA DE PAULA, também nascida e falecida em Rosário do Sul-RS. Maria Francisca não transmitiu o seu sobrenome DE PAULA para os seus filhos.


MARIA FRANCISCA DE PAULA

São pais de:

F.1 – FRANCISCO DE SOUZA BRASIL

F.2 – VIRGÍNIA DE SOUZA BRASIL

F.3 – PAULINA DE SOUZA BRASIL

F.4 – CÂNDIDA DE SOUZA BRASIL

F.5 – FLORINDA DE SOUZA BRASIL


MÁRCIO e seu bisavô JOÃO: as visitas do bisneto.

B.1.4.2 – MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS, hoje com 89 anos de idade, é bisneto de JOÃO de SOUSA BRASIL (é filho de FERNANDA DA SILVA BRASIL, que é filha de FRANCISCO DE SOUZA BRASIL, o primogênito de JOÃO).

Deve-se a MÁRCIO o início das pesquisas sobre JOÃO DE SOUSA BRASIL e seus descendentes. MÁRCIO sempre manifestou um enorme interesse por conhecer suas origens, além de possuir um exacerbado sentimento de preservação da história de seus antepassados. Assim, ao longo dos anos, esteve a vasculhar informações sobre a sua família BRASIL e a procurar e guardar fotografias de seus bisavós, avós, tios, primos e primas, sobrinhos e sobrinhas. Seu acervo fotográfico e documental está sendo inteiramente aproveitado na construção destas páginas.

Márcio, bisneto de João - na avenida João Brasil, 
em Rosário do Sul-RS, em 31-10-2005

Foi MÁRCIO quem descobriu que seu bisavô JOÃO vivera em Rosário do Sul-RS e que lá tivera uma relevante atuação como cidadão na comunidade rosariense, a ponto de merecer uma significativa homenagem do município: a principal avenida da cidade recebeu o nome de JOÃO BRASIL.


Na foto à esquerda, Márcio na Rua JOÃO BRASIL, no centro de Rosário do Sul-RS.


Também foi MÁRCIO quem encontrou uma importante fonte de referência sobre o bisavô JOÃO na Biblioteca Pública da cidade: o livro "Rosário Centenário: 1876/1976", editado pela Prefeitura Municipal, com dados históricos sobre a contribuição do Major JOÃO BRASIL na transformação do Povoado de Rosário para Vila, em 1876, quando esta desmembrou-se politicamente de Alegrete e São Gabriel.


Márcio, bisneto de João, no túmulo de João de Sousa 
Brasil, em Rosário do Sul-RS, em 31-10-2005

Na década de 70, MÁRCIO conseguiu localizar o túmulo de seu bisavô JOÃO, no Cemitério Municipal de Rosário do Sul-RS. Desde então, de tempos em tempos, quando viajava de Alegrete à Santa Maria de carro, ao passar por Rosário do Sul, MÁRCIO costumava fazer uma pausa em sua viagem para uma visita ao jazigo de seu bisavô. Lá ficava em silêncio por algum tempo, e depois seguia a viagem. Era a sua forma de reverenciá-lo.

Na tarde de 31-10-2005, depois de mais de quatro anos sem conseguir revisitar o jazigo de seu bisavô, MÁRCIO retornou ao Cemitério de Rosário do Sul para mais uma visita e um ato de reverência a seu bisavô JOÃO de SOUSA BRASIL, mas agora voltou em companhia de sua filha MARÍLIA CECHELLA - trineta de JOÃO (criadora e webmaster dessa homepage). Esta visita - uma verdadeira cadeia entre o passado distante, o passado recente e o presente - veio dar veracidade às palavras de Almeida Prado, escritas na abertura da homepage: "... sobrevivemos prolongados um pouco nos outros, perpetuação da vida através da morte, na infindável cadeia dos tempos".

Na foto acima à direita, Márcio junto ao jazigo de seu bisavô JOÃO de SOUSA BRASIL, em Rosário do Sul-RS. Os restos mortais de MARIA FRANCISCA DE PAULA (esposa de JOÃO) também estão nesse jazigo. No topo, há uma cruz de ferro trabalhado, cujos detalhes podem ser melhor apreciados na foto com aproximação.

Detalhe da cruz no topo do jazigo de João de Sousa
Brasil, onde se pode ver o dia/mes/ano do falecimento de João, em 26-01-1873

Ao se analisar em detalhe o desenho da cruz assentada no topo do jazigo de JOÃO DE SOUSA BRASIL, verifica-se que, além das iniciais do seu nome (JSB), nela também está assinalada a data e o ano de sua morte (26-01-1873): no seu braço direito há os números 1-8; no braço esquerdo, os números 7-3 (ano de 1873). Abaixo das iniciais JSB, ao centro, há a letra F (falecimento) e abaixo desta, na parte central, há os números 2-6 (= dia 26) e a letra "J" mais a abreviatura do "O" ( Jº ), isto é, mes de janeiro.




Nota da webmaster: Em nosso meio, não temos conhecimento de alguma outra pessoa, além de MÁRCIO, que tenha a habitualidade de visitar o túmulo de seu bisavô - sem sequer o ter conhecido em vida. Este fato bem atesta o caráter de MÁRCIO, cujo respeito à figura de seus antepassados é excepcional e, por isso, motivo de admiração.


TIO JOÃO e o menino JOAQUIM FRANCISCO: o incentivo ao estudo

JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL, eminente diplomata, político, escritor e ruralista, era sobrinho de JOÃO de SOUSA BRASIL (filho de um de seus irmãos - FRANCISCO DE ASSIS DE SOUSA BRASIL).

Segundo relata Dona Joaquina de Assis Brasil (Quinquim), filha de JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL, em reportagem da Revista Manchete (série As Grandes FamíliasOs Assis Brasil, em 17 janeiro de 1981, ano 29, nº 1500, páginas 158-163), foi o tio JOÃO de SOUSA BRASIL quem ensinou as primeiras letras a JOAQUIM FRANCISCO, ainda na fazenda São Gonçalo, no município de São Gabriel-RS (hoje pertencente ao município de Cacequi), antes mesmo do menino JOAQUIM FRANCISCO ingressar na escola primária do Prof. Custódio José de Miranda, em Saicán (Campo de Instrução do Exército, próximo à Rosário do Sul-RS), em 1866.

Segundo informação de descendentes de João, este ao constatar a privilegiada inteligência e o enorme talento do sobrinho Joaquim Francisco, passou a incentivar os seus estudos, convencendo o seu irmão FRANCISCO DE ASSIS de SOUSA BRASIL a enviar o filho para uma escola em São Gabriel. JOAQUIM FRANCISCO foi, então, transferido para o Colégio São Gabriel em 1870 e, segundo informações de familiares, foi o próprio JOÃO quem conseguiu uma vaga para o sobrinho no referido colégio. Lá, por seu desempenho e brilhantismo, o menino logo mostrou que seu tio João estava certo: no primeiro ano, ganhou Medalha de Prata; no segundo, a de Ouro. O sucesso de JOAQUIM FRANCISCO na escola levou JOÃO a escrever uma carta ao sobrinho, na qual ele elogiava seus esforços no estudo, mas pedia-lhe modéstia, por considerá-lo “extremamente bem dotado”. Modéstia e simplicidade, todavia, JOAQUIM FRANCISCO nunca as perdeu, mesmo anos depois, quando já diplomata famoso e um dos homens mais importantes da República. Costumava sempre advertir aos que elogiavam certas invenções suas no castelo de Pedras Altas, que a idéia não fora sua, explicando que trouxera o projeto da Europa: "O importante é subir nos ombros dos gigantes, para subir cada vez mais", comparava, referindo-se à adaptação de algumas novidades trazidas do exterior. A simplicidade foi uma das características marcantes da personalidade de seu pai, segundo a filha Dona Joaquina. ("Ele gostava muito de conversar com pessoas simples. Mesmo depois de velho, ele saía para o campo, em busca de uma conversa com os peões, capatazes, pessoas do campo").

Em 1872, quando o jovem JOAQUIM FRANCISCO tinha 14 anos, e já órfão de pai, novamente foi seu tio JOÃO quem conseguiu uma vaga e levou o sobrinho para estudar no colégio Taveira Júnior, em Pelotas-RS, dirigido pelo Prof. Bernardo Taveira Júnior, poeta e, logo depois, um dos propagandistas da República. Consta que a viagem de JOÃO e do sobrinho JOAQUIM FRANCISCO até Pelotas foi feita a cavalo - o meio de transporte usual nos pampas gaúchos naquela época. No colégio pelotense, o jovem JOAQUIM FRANCISCO também destacou-se como um aluno excepcional, sendo, em certa ocasião, chamado pelo diretor da escola e apresentado ao Imperador como o melhor aluno. Segundo relatou Dona Joaquina de Assis Brasil, esse encontro de seu pai com o Imperador ocorreu quando ele era ainda “um gurizinho pequeno e muito assustado, criado na estância, com pouco contato com cidades grandes”. Ela relata, também, que seu pai gostava de contar aos filhos que, nesse dia, o Imperador colocou a sua pesada mão sobre sua cabeça e disse-lhe: “Querer é poder”. A trajetória de vida de JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL é uma confirmação dessa afirmativa, o que pode ser comprovado clicando aqui.


| PÁGINA INICIAL | ATUALIZAÇÕES | LISTA NOMES | GENEALOGIA | JOÃO BRASIL | FILHOS | NETOS
| BISNETOS | TRINETOS | TETRANETOS | PENTANETOS | ALEGRETE | ROSARIO | LIVRO DE VISITAS |