NETOS de JOÃO DE SOUSA BRASIL

A 2ª GERAÇÃO




Autor: Augusto Peixoto, Portugal (2005)


"Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso (...)

(Mário Quintana)


Sobrenomes nesta página: AMARAL, BRASIL, BRITES, COSTA, DORNELLES, DUARTE, FREITAS VALLE, FONSECA, GONÇALVES, LENCINA, MACIEL, MEDINA, MILANO, NUNES, PEREIRA, PRATES, PEIXOTO, PORTO, QUINTANA, RODRIGUES, SANTOS, SILVA, SOUSA, SOUZA, TEIXEIRA.

Ascendentes imediatos: F.1 - FRANCISCO DE SOUZA BRASIL e MARIANA GONÇALVES DA SILVA.

N.1.1 – ECILDA DA SILVA BRASIL nasceu em Alegrete-RS, em 18... e faleceu em S.Paulo-SP, em 19..... Casou-se em Alegrete-RS com PEDRO ROMUALDO DA SILVA (“Pedrinho”), guarda-livros (contador, hoje). Depois o casal mudou-se para o Mato Grosso, onde Pedro foi Intendente de uma cidade daquele estado. Após, transferiram-se para S.Paulo, inicialmente em Pindamonhagaba e depois em S.Paulo capital, onde ambos faleceram. Não tiveram filhos legítimos. Entretanto, em S.Paulo, adotaram uma menina de nome GILDA. Esta casou-se com um descendente de japoneses, na capital paulista. Ecilda e Pedrinho eram padrinhos de seu sobrinho B.1.4.3 - MOACYR BRASIL DOS SANTOS, filho de FERNANDA DA SILVA BRASIL, irmã de Ecilda.
Pais de:

B.1.1.1 - GILDA DA SILVA BRASIL



Ecilda da Silva Brasil, seu esposo Pedro e a filha Gilda (à esq.).


N.1.2 – ADAMASTOR DA SILVA BRASIL nasceu em Alegrete-RS. Casou-se com MARINA ANTUNES MACIEL, natural de Alegrete-RS. Em 1924, o casal foi residir em São Paulo-SP, para onde Adamastor foi em busca de melhores condições de trabalho. Entretanto, lá passou por sérias dificuldades financeiras e por tragédias familiares (uma filha suicidou-se, atirando-se sob as rodas de um trem; outra filha morreu de tuberculose, ainda jovem, e seu outro filho também faleceu). Sua esposa Marina também veio a morrer em S.Paulo-SP. Quando Adamastor adoeceu gravemente em S.Paulo, amigos o enviaram de avião para Santa Maria-RS, onde residia seu irmão N.1.7 - ARMINDO DA SILVA BRASIL. Aí ficou hospitalizado por alguns dias, mas depois seu sobrinho B.1.4.1 - MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS providenciou a sua remoção para o hospital de Alegrete, onde veio a falecer, em 1956. Pais de:

B.1.2.1 - ELZA MACIEL BRASIL

B.1.2.2 - ALZIRA MACIEL BRASIL

B.1.2.3 - RUI MACIEL BRASIL



Adamastor da Silva Brasil e esposa Marina Maciel - 19-07-1920


N.1.3 – SARAH DA SILVA BRASIL (“Sarinha”) nasceu em Alegrete-RS em 06-06-1892 e faleceu em Alegrete-RS, após acidente de carro, próximo à fazenda da família (Espinilho). Junto com sua irmã mais velha Ecilda, Sarah estudou, como aluna interna, em renomado colégio de Taquari-RS, onde foi colega das irmãs Nerina e Ernestina Fonseca, que vieram a casar com seus primos em 1º grau Eurípides e Eucharis Brasil Milano. Sarah casou-se com JOÃO VENÂNCIO PRATES NUNES (filho de Gabriel Nunes – “Gabito”, estancieiro de Alegrete, falecido em 29-03-1928, e Clarinda da Silva Prates). Após o casamento, o sogro de Sarah comprou a fazenda Espinilho de FRANCISCO DE SOUSA BRASIL (pai de Sarah), onde o casal José Venâncio e Sarah passou a morar a partir de então.

Segundo informação de familiares, quando SARAH BRASIL casou com o João Venâncio, ela tinha 15 anos, e ainda brincava de boneca, só que escondida. Quando João Venâncio saía, ela aproveitava para brincar e pedia a uma ‘escrava’ que avisasse quando ele estivesse voltando, para esconder as bonecas; depois ela ficava na sala “bordando” à espera dele.

Pais de:

B.1.3.1 – NELCY BRASIL NUNES

B.1.3.2 – FRANCISCO BRASIL NUNES

B.1.3.3 – JOSÉ GABRIEL BRASIL NUNES



Sarah da Silva Brasil ("Sarinha")


N.1.4 – FERNANDA DA SILVA BRASIL nasceu em Alegrete-RS em 12-07-1891, transferindo-se para Porto Alegre-RS na década de 50. Voltou, contudo, a residir em Alegrete nos seus últimos anos de vida, na mesma residência que morou após o seu casamento, na rua Waldemar Masson, nº 84, onde veio a falecer em 05-09-1990, aos 99 anos de idade. Casou-se em 1916 com CUSTÓDIO JOSÉ DOS SANTOS (filho de MÁRCIA MARIA JOSÉ DOS SANTOS, mãe solteira, e GERALDO MEDEIROS), nascido em Alegrete-RS, em 05-05-1893 e falecido em Porto Alegre-RS, em 28-11-1957, de infarto do miocárdio. Ambos estão sepultados em Alegrete-RS. Pais de:

B.1.4.1 – MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS

B.1.4.2 – MOACYR BRASIL DOS SANTOS

B.1.4.3 – MÁRIO BRASIL DOS SANTOS

B.1.4.4 – NEUZA MÁRCIA BRASIL DOS SANTOS

B.1.4.5 – NILZA BRASIL DOS SANTOS

B.1.4.6 – ECILDA BRASIL DOS SANTOS

B.1.4.7 – NELZA CATARINA BRASIL DOS SANTOS



Fernanda da Silva Brasil e filhos, comemorando seus 90 anos (1981).
Da dir. p/ esq. : Márcio, Moacyr, Fernanda, Neuza, Nelza Catarina e Nilza.


N.1.5 – JOAQUIM DA SILVA BRASIL nasceu em Alegrete-RS e casou-se com MIGUELINA BRITES. Pais de:

B.1.5.1 – JOÃO BRITES BRASIL

B.1.5.2 – MARGARIDA BRITES BRASIL

B.1.5.3 – SARAH BRITES BRASIL




Joaquim da Silva Brasil e esposa Margarida, no casamento da neta Enilda Brasil com Homero Machado.


N.1.6 – ALMANSOR DA SILVA BRASIL ("Sinhoco"), casou-se com sua prima em 2º grau PAULINA BRASIL DO AMARAL (filha de JOSÉ ANTÔNIO BRASIL DO AMARAL e PRUDÊNCIA DA COSTA GOMES). Consta que PAULINA era muito inteligente e que, na idade escolar, freqüentou um Internato (escolas de antigamente em que os alunos estudavam e moravam na própria escola). Entretanto, permaneceu como interna somente até os 14 anos de idade, pois aos 15 anos casou-se com seu primo ALMANSOR, então com 27 anos. Segundo informação de familiar, após o casamento, Paulina continuou assinando-se como PAULINA BRASIL DO AMARAL e, no registro de seus filhos, excluiu o AMARAL e os registrou com o sobrenome BRASIL DE BRASIL. Pais de:

B.1.6.1 – JOÃO BRASIL DE BRASIL

B.1.6.2 – PAULO BRASIL DE BRASIL

B.1.6.3 – MARIANA BRASIL DE BRASIL

B.1.6.4 – MARIA APARECIDA BRASIL DE BRASIL

B.1.6.5 – MARTHA BRASIL DE BRASIL



Almansor da Silva Brasil ("Sinhoco")


N.1.7 – ARMINDO DA SILVA BRASIL nasceu em Alegrete-RS em ........ Depois de viver no interior de S.Paulo durante um certo tempo (Jacareí), onde se casou, em 1932 retornou à Alegrete e passou a administrar uma leitaria, numa chácara nos arredores da cidade. Mais adiante, passou a trabalhar como Chefe de Compras do Curtume Termingnone, de Novo Hamburgo-RS. Armindo residiu em Alegrete por aproximadamente 10 anos, mas depois transferiu-se com a família para Santa Maria-RS, em razão da situação geográfica da cidade (centro do estado) facilitar os seus contatos comerciais (compra de matéria prima para o curtume). Após se aposentar, passou a residir em Porto Alegre-RS, onde veio a falecer em ..... Casou com NAIR PORTO, natural de Jacareí-SP. Pais de:

B.1.7.1 – FRANCISCO PORTO BRASIL

B.1.7.2 – MARIA CÉLIA PORTO BRASIL

B.1.7.3 - MARIA DULCE PORTO BRASIL

B.1.7.4 - MARIA CLEIDE PORTO BRASIL



Armindo da Silva Brasil, esposa Nair e filhos Francisco, Maria Célia e Maria Dulce (colo).


N.1.8 – CELINA DA SILVA BRASIL nasceu em Alegrete-RS e faleceu em Canoas-RS. Na sua mocidade, chegou a cursar a Faculdade de Medicina em São Paulo, mas teve que abandonar o curso por falta de recursos financeiros para se manter em S. Paulo. Casou-se com JACINTO RODRIGUES FILHO. Pais de:

B.1.8.1 – JOSÉ BRASIL RODRIGUES



As irmãs Sarah e Celina da Silva Brasil (da esq. p/ dir.).


N.1.9 – LEONIDA DA SILVA BRASIL nasceu em Alegrete-RS e casou-se com GASPAR MEDINA. Era uma moça elegante e a mais bonita das filhas de Francisco. Faleceu ainda jovem, de tuberculose. O casal não teve filhos.



Leonida da Silva Brasil e Gaspar Medina - 02-08-1915


N.1.10 – GEMINA DA SILVA BRASIL nasceu em Alegrete-RS e faleceu ainda criança.



Ascendentes imediatos: F.2 - VIRGÍNIA DE SOUZA BRASIL e GIUSEPPE ("JOSÉ") MILANO.

N.2.1 – EURÍPIDES BRASIL MILANO, nasceu em Alegrete-RS em 22-10-1880 e faleceu também em Alegrete-RS, em 25-01-1957.

Eurípides Brasil Milano

Casou-se com ERNESTINA FONSECA, nascida em Rosário do Sul-RS, filha do fazendeiro JANUÁRIO FONSECA e FIDELINA PRATES, e irmã de NERINA, casada com seu irmão EUCHARIS. O casamento dos dois irmãos com as duas irmãs Fonseca ocorreu no mesmo dia (16-01-1908), em Rosário do Sul-RS.

Advogado, formou-se na Faculdade de Direito em S.Paulo-SP, em 1907. Voltou ao Rio Grande do Sul, fez estreita amizade com seu parente JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL e ingressou nas fileiras do Partido Libertador. De 1941 a 1944 dirigiu os destinos de Alegrete-RS como Intendente (atual Prefeito) e sua administração foi voltada para o social e a cultura daquela terra. Além de advogado e político, Eurípides era também pecuarista e proprietário da fazenda Remanso, em Alegrete-RS, herdada de seus pais.

Mesmo antes de ser Intendente, Eurípides já exercia importante liderança política na cidade. Foi em sua residência (foto abaixo), que hospedou-se o então General Cândido Rondon, o desbravador das comunicações em nosso país. Essa visita ocorreu em 1922, de 16 para 17 de agosto (pernoite), quando da visita do General à Alegrete, deslocando-se para a Granja de Pedras Altas (esta de propriedade de seu parente Joaquim Francisco de Assis Brasil).

Residência de Eurípides Brasil Milano

Residência de Eurípides Brasil Milano, à rua Venâncio Aires/ esquina Gal. Sampaio, em Alegrete. A casa pertencera antes a seu sogro, Januário Fonseca. Posteriormente, foi a morada da família de sua filha Lavínia Milano Brancato, e hoje é residência da família de sua neta Virgínia Milano Brancato (de Brum, após o casamento).

Eurípides era afilhado de seus tios F.1 - FRANCISCO DE SOUZA BRASIL e MARIANA GONÇALVES DA SILVA.

Como uma homenagem de Alegrete à sua figura, uma importante avenida da cidade recebeu o seu nome (a antiga Rua das Tropas). Esta rua era assim chamada por ser aquela que os tropeiros utilizavam para o levar os animais até o matadouro, após atravessarem a ponte do rio Ibirapuitã (rio que banha a cidade de Alegrete).

O casal Eurípides - Ernestina era muito unido. Quando sua esposa faleceu em janeiro/1957, Eurípides, muito abalado emocionalmente, morreu ao chegar em casa, depois do enterro de Ernestina.

Pais de:

B.2.1.1 - LAVÍNIA FONSECA MILANO

B.2.1.2 – VIRGÍNIA FONSECA MILANO

B.2.1.3 – JOAQUIM FRANCISCO FONSECA MILANO


N.2.2 - EUCLIDES BRASIL MILANO nasceu em Alegrete-RS em ~1883 e faleceu em 1947. Casou-se com ANA DORNELES DE FREITAS VALLE (conhecida por Donana/Don’Ana), filha de MANUEL DE FREITAS VALLE FILHO, que foi Interventor em Alegrete-RS e vice-presidente do RGS, e de RITINHA DORNELES. Uma das irmãs de Don’Ana era LUIZINHA DE FREITAS VALLE (ARANHA, após o casamento), mãe de OSWALDO ARANHA.

O jovem Euclides Brasil Milano, 1º bacharel alegretense do século XX Euclides era advogado, formou-se em Direito em S.Paulo-SP em 1905, passando a exercer a profissão em 1906 em Alegrete-RS, com a honraria de ter sido o primeiro bacharel do século XX a desempenhar a profissão de advogado no Fôro alegretense. Este fato foi comemorado em grande pompa pela comunidade alegretense, pelo fato de um alegretense diplomar-se Doutor e vir instalar-se em sua terra natal.

O fato foi festejado por todos e muitas homenagens foram prestadas ao bacharel Euclides B. Milano, incluindo uma imponente manifestação pública, em 02-5-1906, como mostra o texto abaixo, transcrito do Caderno especial do jornal Gazeta de Alegrete - "Alegrete de Ontem" - 2ª edição (1º-10-1993), em comemoração aos 111 anos do jornal (1ª edição em 1973).




NO FÔRO LOCAL, O PRIMEIRO BACHAREL DO SÉCULO XX.
(Texto do jornalista Maurício Goldemberg, no jornal Gazeta de Alegrete - "Alegrete de Ontem", 2ª ed., em 1º-10-1993)

"Quando está prestes a se iniciar a Semana do Advogado,é justo focar o significativo fato de que, no século XX, somente em 1906, um alegretense formado em Ciências Políticas e Sociais passou a integrar corpo de advogados da cidade. Na ocasião, aqui já exercia a advocacia, muito antes do advento da República, um bacharel - o Dr. Franklin Gomes Souto - de tradicional família do vizinho município de Rosário do Sul-RS, mas pessoa por demais integrada na nossa vida comunitária, onde exerceu a vereança por sufrágio popular, foi dirigente político e de inúmeras entidades sociais e beneficientes, entre elas a provedoria da Santa Casa de Caridade. O Dr. Franklin é avô do Dr. Antonio Gomes Souto, que aqui, em anos passados, exerceu a medicina. O próprio sr. João Benício da Silva, uruguaianense que foi deputado estadual e federal com base eleitoral em Alegrete, e morreu no honroso cargo de Intendente de nosso Município, aqui exerceu com raro brilho a profissão de advogado. Entretanto, mesmo tendo cursado a Faculdade de Direito de São Paulo, abandonou os estudos antes de doutoramento. Cabe mesmo ao conterrâneo Dr. Euclydes Brasil Milano, concluinte do curso de Direito pela Faculdade de S. Paulo, em 1905, passando a exercer a profissão em 1906, a honraria de ter sido o primeiro alegretense bacharel, do século XX, a desempenhá-Ia no Fôro alegretense. Inicialmente manteve banca juntamente como Dr. Franklin Gomes Souto e, em 1907, com a formatura do Dr. Euripedes Brasil Milano, formaram respeitável Escritório de Advogacia, ao qual, no suceder dos anos, na segunda década do século, foi integrado pelo Dr. Waldemar Masson".

MANIFESTAÇÃO
O fato de um alegretense diplomar-se Doutor no início do século e vir instalar-se em sua terra natal, como não poderia deixar de ser, constitui-se num dos grandes acontecimentos. Festejado por todos, culminaram as homenagens que foram tributadas ao Dr. Euclydes B. Milano com uma imponente manifestação pública, em 2-5-1906, como bem registra a nossa Gazeta em sua edição do dia imediato:

"Teve lugar, como previamente anunciamos. a manifestação de apreço tributada pelo povo de Alegrete ao Dr. Euclydes Milano, recentemente chegado à esta cidade, onde vem fixar residência.

Às 7 horas da noite principiaram a reunir-se na Livraria O Coqueiro, as pessoas que, desejando cumprimentar o ilustre advogado e atendendo ao convite profusamente distribuído em boletim, deviam incorporados, formar o imponente préstito que se organizou.

Duas bandas de música - do 2º Batalhão de Engenharia e do 30º Batalhão de Infantaria - postadas no ponto da reunião, tocavam a intervalos, anunciando assim que era chegada a hora.

PRÉSTITO
O préstito organizado, obedeceu à seguinte ordem: em 1º lugar, luzes cambiantes, produzidas por inúmeros lampiões chineses conduzidos pelos manifestantes; em seguida, um grupo composto pelos manifestantes; em seguida, um grupo composto de outros convidados; por último, as duas excelentes bandas militares tocando alternadamente vibrantes dobrados e rompendo a marcha, à frente, diversos serventes fazendo ininterruptamente subir ao ar centenas de foguetes de dinamite.

O soberbo acompanhamento, que realmente apresentava admirável perspectiva, partindo da livraria O Coqueiro, desfilou pelas ruas Ipiranga, tomando depois pela dos Andradas e Barão do Cerro Largo, entrando finalmente na rua General Sampaio, onde reside o sr. José Milano - pai do festejado advogado.

Ali chegado-após o estourar de uma salva de 21 tiros, fez-se ouvir o comissionado oficial, encarregado de representar a popular manifestação, nosso estimado amigo Júlio Ruas.

Euclides Brasil Milano - 1º bacharel alegretense do século XX, em foto publicada na Gazeta de Alegrete - Edição especial de 1º-10-1993

HOMENAGEM
O já conhecido e festejado orador, em longo e bem concatenado discurso, cheio de conceitos elevados, de tropas admiráveis, eloqüente, profundo, expressivo e convincente - uma belíssima obra de arte e de inspiração - falou talvez durante meia hora, prendendo a atenção do imenso auditório que o ouvia no maior silêncio interrompido a cada passo por sinais de aprovação. Perorando, em burilado final, ofereceu ao Dr. Milano - que o escutava da sacada - aquela significativa demonstração de apreco dos seus conterrâneos, entregando-lhe ao mesmo tempo um artístico tinteiro de prata, insignificante lembrança dos seus amigos e patrícios.

Respondendo o Dr. Euclydes, fê-lo também em clara e concisa oração nessa ocasião os ricos dotes oratórios que possui, a par de uma presença simpática, atraente e pronunciadamente democrática.

Não podemos reter na memória o belo discurso do moço doutor - seria isso quase impossível - apenas como mais fundamento nos impressionou, repetiremos aqui, mais ou menos a súmula de sua magnífica peroração: disse, que depois de formado, querendo encetar a luta pela existência, tinha escolhido o Alegrete, sua terra natal, para ali desenvolver a sua atividade, onde, pretende trabalhar, seguindo sempre retilíneo, o itinerário de antemão traçado - o caminho da honra e da honestidade - firmadas ambas na mais completa e nobre independência. Terminando, convidou todos a erguer um entusiástico viva ao Alegrete, berço de todos e que tanto o honravam e o distinguiam imerecidamente com a eloqüente demonstração de apreço que vinham trazer-lhe.

Convidados a entrar, foram todos os manifestantes obsequiados com esplêndidas cervejas, generosos vinhos, espumantes champagnes e finos doces. Literalmente cheio, os amplos salões da sua residência, foi, pelo nosso companheiro de redação, Fredolino Prunes, iniciada a série de brindes.
À família Milano, representada pelo sr. José Milano e sua virtuosa consorte, foi por aquele companheiro erguido o primeiro brinde.
Falou em seguida o redator desta folha, dirigindo singela, porém expressiva alocução ao jovem doutor.
O sr. Domingos Basile, saudando em italiano e em bonito e caloroso brinde, os donos da casa.
O Dr. Milano, agradecendo aos oradores que o precederam e vivando ao sr. coronel Intendente, com vibrantes e elogiosos conceitos.
O Cel. Intendente agradecendo as palavras que lhe dirigira aquele e brindando carinhosamente ao seu amigo sr. José Milano.
O Dr. Alexandre Lisbôa, à família Milano, dando-lhe parabéns pela verdadeira glorificação que o povo de Alegrete, justo e magnânimo, fazia a seu filho Dr. Euclides.
Deste último, agradecendo e saudando a família Ruas, representada pelo seu velho e honrado progenitor.
Do redator desta folha, brindando em" calorosas palavras" ao seu amigo Dr. Alexandre Lisboa, que em seguida agradeceu, retribuindo a saudação do seu amigo Fredolino Prunes - e outros brindes e vivas que nos escaparam à memória.
Mais ou menos às 10 horas da noite terminou o íntimo e alegre convívio, retirando-se os manifestantes cativos do trato lhano e gentil dispensado pelos donos da casa a todos aqueles que ali foram naquela noite, tocando sempre as duas bandas militares".

No mesmo Caderno especial da Gazeta de Alegrete - 2ª edição ("Alegrete de Ontem") de 1º-10-1993, ainda consta o seguinte texto sobre o casal ANA - EUCLIDES BRASIL MILANO, escrito pelo jornalista Maurício Goldemberg:

"A memória do casal - Ana/Euclydes B. Milano - é sempre relembrada com saudades pela comunidade alegretense. O Dr. Euclydes, além de brilhante advogado, teve seu nome ligado a inúmeros empreendimentos aqui instalados neste século. Foi avançado pecuarista*, dirigente de entidades sociais e benemerentes, integrando, também, o legislativo municipal por diversos períodos, dentre eles o da dissolução da Câmara e Vereadores quando da implantação do Estado Novo".


Nota da webmaster*: Euclides era proprietário da fazenda Repouso, na região do Catimbau (município de Alegrete), herdada de seus pais, a qual ficava à direita do rio Ibirapuitã, em direção à Rosário. Ficava próxima à estância Ibirapuitã, de propriedade de seu primo JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL.

"Sua esposa, sra. Ana (Donana, como era carinhosamente chamada por todos) foi dos corações magnânimes de nossa cidade, sempre presente em todas as campanhasa altruísticas, heranças benfazeja de sua progenitora, dona Ritinha Dornelles Freitas Valle.

De dona Donana, de quem fomos vizinhos, guardamos, independente de uma saudosa e constante lembrança sempre revivida em nosso lar (foi das grandes amigas de nossa mãe) essas recordações marcantes da infância: quando de seus funerais, no ano de 1941, aquela incontável massa humana conduzindo o esquife da ilustre dama sob os acordes profundos e magoantes executados por um conjunto de músicos. Na nossa meninice, vislumbramos idéia de algomeração de povo somente igualável quando da entrega ao Dr. Alexandre Lisboa do último automóvel que o povo lhe presenteou.

Do Dr. Euclydes, falecido em 1947, aquela presença sempre constante nas sacadas, em vestes caseiras, observando o "tranco" dos seus cavalares de alta linhagem, que ao entardecer, ao abrir-se o avantajado portão da residência, saíam à rua, passeando pela General Sampaio, sob o comando de exímios cavaleiros, ora troteando, ora naquele compasso saltitante dos animais marchadores, em que o campeiro procurava mostrar ao patrão suas altas qualidades de ginete".

Nota da webmaster: A casa de EUCLIDES BRASIL MILANO era a mesma residência que pertencera a seus pais, VIRGÍNIA BRASIL e JOSÉ MILANO (foto). Essa residência tinha um grande portão lateral à direita, que dava acesso a um enorme pátio, o qual se estendia, em profundidade, até a metade do quarteirão (~66 metros de extensão), local este que servia para criação de cavalos de raça, uma das atividades pecuárias desenvolvidas por Euclides. Isso explica o texto do jornalista Maurício Goldemberg, que relembra a figura de EUCLIDES nas sacadas da sua morada, à tardinha, admirando a saída dos seus cavalos, sob o comando de experientes ginetes - seus empregados no haras.



Residência dos Milano - rua Gal. Sampaio/ Alegrete-RS
(hoje Colégio Marquês de Alegrete)

EUCLIDES e ANA são pais de:

B.2.2.1 – NILO BRASIL MILANO

B.2.2.2 – ANTONIO BRASIL MILANO

B.2.2.3 – MANOEL BRASIL MILANO

B.2.2.4 – VIRGÍNIA BRASIL MILANO

EUCLIDES BRASIL MILANO não adicionou o sobrenome Freitas Valle de sua esposa Ana, ao sobrenome de seus quatro filhos: Nilo, Antonio, Manoel e Virgínia. Há duas versões para o fato. A versão que circula na família é de que Euclides escondeu o Freitas Valle no registro dos filhos porque era o nome de uma família tradicional e ofuscaria o adventício e inexpressivo Milano peninsular...

A outra versão diz que o motivo seria por rivalidades políticas (“assisistas” x “borgistas”), visto que no período da Revolução de 1923, a família Milano pertencia à ala Libertadora, liderada por Joaquim Francisco de Assis Brasil (maragatos) e a família Freitas Valle apoiava a ala governista, liderada por Borges de Medeiros (chimangos).

Seja qual for a versão verdadeira, o fato é que todos os filhos de Euclides e Ana foram registrados apenas com o sobrenome Brasil Milano, e não Freitas Valle Milano como seria o correto.


O jovem Eucharis Brasil Milano

N.2.3 – EUCHARIS BRASIL MILANO nasceu em Alegrete-RS em 29-08-1887 e casou-se com NERINA PRATES FONSECA, nascida em 16-06-1890, de família de Rosário do Sul-RS, filha do fazendeiro JANUÁRIO FONSECA e FIDELINA PRATES, e irmã de ERNESTINA, casada com seu irmão EURÍPIDES. Além de Eucharis e Eurípides casarem-se com duas irmãs, o casamento deles foi no mesmo dia: 16 de janeiro de 1908, no município de Rosário do Sul-RS.

Eucharis era estudante de Engenharia em S.Paulo-SP, mas não chegou a concluir o curso, retornando à Alegrete quando seu irmão Eurípides diplomou-se em Direito e voltou à terra natal em 1907. De volta à Alegrete, Eucharis dedicou-se à pecuária na fazenda Sossego (herança de seus pais) e ao comércio de Secos & Molhados na região de sua estância. Mais tarde, por indicação política, assumiu a Direção do Departamento de Fiscalização do Instituto Brasileiro do Café no R.G. do Sul, razão pela qual transferiu residência com a família para P.Alegre-RS, onde veio a falecer em 28-10-1974, aos 87 anos de idade.

Eucharis Brasil Milano já octagenário

Pais de:

B.2.3.1 – PLÍNIO BRASIL MILANO

B.2.3.2 – JOSÉ CARLOS FONSECA MILANO

B.2.3.3 – MARIA FONSECA MILANO

B.2.3.4 – NICOLAU FONSECA MILANO




Na foto acima, Eucharis Brasil Milano já octagenário.



Na foto à direita, Eucharis Brasil Milano, esposa Nerina Fonseca e filhos, num sítio em Viamão/RS, onde a família foi morar quando Eucharis transferiu-se de Alegrete para Porto Alegre. Sentada: Nerina. Em pé, da esq. para a dir: Maria, Zéca, Plínio, Eucharis e o caçula Nicolau.



Nota da webmaster: Segundo a tradição familiar oral, EUCHARIS BRASIL MILANO registrou seu filho primogênito PLÍNIO apenas com o sobrenome paterno (excluindo o sobrenome materno FONSECA), com a finalidade de preservar o sobrenome familiar BRASIL MILANO em algum dos seus descendentes. Nos demais filhos de Eucharis (José Carlos, Maria e Nicolau), o registro do sobrenome foi feito da maneira tradicional (materno + paterno), isto é, todos são FONSECA MILANO.
Isto já ocorrera com os filhos de seu irmão EUCLIDES BRASIL MILANO (Nilo, Antônio, Virgínia e Manoel), os quais foram todos registrados com o sobrenome BRASIL MILANO, com exclusão do FREITAS VALLE materno.



Ascendentes imediatos: F.3 - PAULINA DE SOUZA BRASIL e MANOEL JOSÉ DUARTE DO AMARAL.

N.3.1 – JOSÉ BRASIL DO AMARAL ("Quindonga") nasceu em 1880. Casou-se com PRUDÊNCIA DA COSTA GOMES. Seus filhos, todavia, foram registrados apenas com o sobrenome paterno BRASIL DO AMARAL, sem o sobrenome materno GOMES.

Posteriormente, a maioria dos filhos do casal excluiu o sobrenome paterno AMARAL e passaram a assinar-se apenas com o sobrenome BRASIL (originado de sua avó materna PAULINA). Pais de:

B.3.1.1 – HENRIQUETA BRASIL

B.3.1.2 – PAULINA BRASIL

B.3.1.3 – ELVIRA BRASIL

B.3.1.4 – CONCEIÇÃO BRASIL

B.3.1.5 – GILDA BRASIL

B.3.1.6 - URBANA BRASIL

B.3.1.7 - ARACI BRASIL

B.3.1.8 – DEUSDEDES BRASIL

B.3.1.9 – ANACLIDES BRASIL

B.3.1.10 – ALBERTO BRASIL



José Antônio Brasil do Amaral - 04-08-1885


Ascendentes imediatos: F.4 – CÂNDIDA DE SOUZA BRASIL e ANTÔNIO (“TONICO”) LENCINA. Não tiveram filhos legítimos, mas adotaram uma menina.

N.4.1 – CELINA BRASIL TEIXEIRA Não é filha legítima de CÂNDIDA, mas foi criada pelo casal Cândida/Tonico como filha. Consta que Celina era uma pessoa com muita habilidade em trabalhos manuais. Casou-se com JOÃO AMÉRICO DE SOUZA FILHO (apelidado de “Guri Américo”), comerciante, mas separaram-se mais tarde.

JOÃO AMÉRICO era o padrinho de B.1.4.1 - MÁRCIO BRASIL DOS SANTOS, e sua sogra CÂNDIDA era a madrinha (Márcio era sobrinho-neto de Cândida).

Pais de:

B.4.1.1 - RUI SOUZA

B.4.1.2 – RUTH SOUZA



Celina Teixeira Souza e os filhos Rui e Ruth


Ascendentes imediatos: F.5 – FLORINDA DE SOUZA BRASIL e FLAMINO JOSÉ PEREIRA DA MOTTA.

N.5.1 – SEVERINO BRASIL DA MOTTA, nasceu em Alegrete-RS, em 1884.

N.5.2 – ODORICO BRASIL DA MOTTA, nasceu em Alegrete-RS, em 30-09-1888.

N.5.3 – LEONINA BRASIL DA MOTTA, nasceu em Alegrete-RS, em 1893.

N.5.4 – OLINDA BRASIL DA MOTTA, nasceu em Alegrete-RS, em 30-08-1894. Casou com seu primo em 1º grau ALEXANDRE DA MOTTA TRINDADE, EM 23-07-1910. Ambos eram netos de Flamino José da Motta: Alexandre era filho de EUGÊNIA PEREIRA da MOTTA - irmã de FLAMINO JOSÉ PEREIRA DA MOTTA, e este era pai de Olinda. Após seu casamento, Olinda passou a assinar OLINDA BRASIL DA MOTTA TRINDADE.
Pais de:

B.5.4.1 - BRANDINA BRASIL DA MOTTA TRINDADE

B.5.4.2 – ALDA BRASIL DA MOTTA TRINDADE

B.5.4.3 – LÍGIA BRASIL DA MOTTA TRINDADE

B.5.4.4 – VALENTIM BRASIL DA MOTTA TRINDADE

B.5.4.5 - MARCONDES BRASIL DA MOTTA TRINDADE

N.5.5 – ANTÔNIO JOSÉ BRASIL DA MOTTA




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