O SONHO DOS CAVALOS SELVAGENS

Crítica de Assis Brasil a livro de Álvaro Pacheco
in jornal Jornal das Letras, Rio de Janeiro, abril de 1967

Depois da publicação de "Margem Rio Mundo", o poeta piauiense Álvaro Pacheco retorna com o livro de poemas "Sonho dos Cavalos Selvagens".

Se no livro anterior havia a presença maior do sentimento da terra e em segundo plano a fatuidade humana, neste "O Sonho dos Cavalos Selvagens" o poeta concentra a sua visão num sentimento de nostalgia do homem e das coisas circunstantes. A brevidade do amor, das ilusões, o mistério da mulher, marcam o travo dos últimos poemas de Álvaro Pacheco.

O poeta usa, de preferência, o verso livre, dando à estrutura de cada poema um ritmo próprio — sua linguagem é suficiente e limpa, e embora trate dos temas chamados "eternos" da poesia, não cai no tradicionalismo verbal de alguns poetas que não conseguiram evoluir.

Álvaro Pacheco está ligado, assim, a uma corrente que faz da poesia o sentimento de seus humores e de suas idéias, a uma poesia que é mais veiculo do que propriamente criação, e que se nutre de uma visão humana das coisas.

Assis Brasil