PAIS DE

JOAQUINA THEODORA DE BEM SALINAS


Sobrenomes nesta página: ALVES, ARAÚJO, BAPTISTA, BASTOS, BELÉM, BEM, BENTO, CAETANO, CASTRO, COSTA, CRUZ, DIAS, EDLER, ESPÍRITO SANTO, FLORA, FONTOURA, GONÇALVES, LESSA, MACIEL, MEIRELLES, MESQUITA, MIRANDA, PAIVA, PIMENTA, PINTO GUEDES, RODRIGUES, ROSA, ROZA, ROZÁRIO, SÁ, SALGADO, SANTA BÁRBARA, SALINAS, SANTA GERTRUDES, SANTOS, SILVA, SOARES, VASCONCELLOS.


Pais de JOAQUINA THEODORA DE BEM SALINAS:


Pai - JOAQUIM THOMAZ DE BEM SALINAS nasceu no Rio de Janeiro em 07-03-1788, foi batizado no dia 26 de março do mesmo ano na Catedral da Sé, a qual veio a mudar diversas vezes de local. Seus padrinhos foram MANUEL JOSÉ DE MESQUITA e CATARINA ROZA.

É curioso o fato de que JOANA PERPÉTUA DE SÁ e seu marido, o boticário JOSÉ CAETANO DA SILVA, tentam resgatar o prestígio de seus antepassados , dando ao seu filho Joaquim Thomaz o sobrenome de Bem Salinas, abandonando todos os outros mais próximos, e adotando o sobrnome da linhagem de seu 4º avô materno.

Joaquim Thomaz casou-se com 27 anos, no dia 15-07-1815, no Rio de Janeiro-RJ, na Capela de Santana, atual Capela da Rede Ferroviária, com JOAQUINA THEODORA DO ESPÍRITO SANTO, estando presente o Reverendo JOÃO ALVES DA SILVA e as testemunhas FRANCISCO JOSÉ GONÇALVES BASTOS e ANTÔNIO DA COSTA. O matrimônio foi oficializado às 17h pelo Vigário-Geral ANTÔNIO RODRIGUES DE MIRANDA.

Eram públicos seus conhecimentos de Gramática Latina, Francês, Geometria e Filosofia. Seguiu a mesma profissão de seu pai, o Boticário JOSÉ CAETANO DA SILVA, inclusive no seu aprimorando a como Cirurgião. Tem registros de Cartas de Fármácia datados de 14-02-1815 e Carta de Cirurgia e de Sangrador de 06-11-1824. Residia na Freguesia da Sé, no Rio de Janeiro-RJ, e tinha botica na Rua dos Ourives esquina com Rua das Violas nº 19. Atualmente, a Rua dos Ourives chama-se Rua Miguel Couto até seu cruzamento com a Av. Rio Branco, quando muda seu nome para Rua Rodrigo Silva. A Rua da Viola chama-se agora Rua Teófilo Otoni. Sua botica, na Rua dos Ourives, localizava-se provavelmente próxima da loja de seu avô paterno, o Oficial de Ourives DOMINGOS FRANCISCO DA SILVA, pois consta em documentos que essa rua era abrigava quase que exclusivamente profissionais da arte da ourivesaria. Além das três profissões acima citadas, Joaquim Thomaz era Professor-Régio, conforme pesquisas feitas pôr RONI DE VASCONCELLOS SANTOS, transcritas mais adiante.

Além de Joaquina Theodora, JOAQUIM THOMAS DE BEM SALINAS e JOAQUINA THEODORA DO ESPÍRITO SANTO foram pais dos seguintes filhos, irmãos de JOAQUINA THEODORA DE BEM SALINAS e cuja descendência não está sendo pesquisada por não estarem diretamente relacionados com a descendência do MPO - FRANCISCO DE ASSIS BRASIL:

Irmã 1 - MARIA DE BEM SALINAS nasceu no Rio de Janeiro-RJ.

Irmã 2 - GERTRUDES MATHILDE DE BEM SALINAS nasceu em Rio Pardo-RS, em 1825, casou-se em 04-08-1849, em Santa Maria-RS, com ANTÔNIO BENTO DA FONTOURA e faleceu na mesma cidade em 22-08-1901. Gertrudes Mathilde e Antônio Bento são os trisavós maternos do pesquisador Roni, acima citado, responsável pelos dados da genealogia de Joaquina Theodora, esposa do MPO.

Enviuvando de Joaquina Theodora, Joaquim Thomaz casou-se em 19-09-1828 com ANA FLORA, nascida em Taquari-RS e falecida em 11-09-1851. Foram pais de dois filhos, cuja descendência também não se relaciona com o MPO:

Irmão 3 - JOAQUIM THOMAZ DE BEM SALINAS nasceu em Porto Alegre-RS em 21-06-1829 e foi Secretário da Primeira Câmara Municipal de Santa Maria-RS, que funcionou de 1858 a 1860. Joaquim Thomaz faleceu em 26-03-1865, solteiro, de febre tifóide, no Hospital Militar, junto ao Cerro de Montevidéo, no posto de Alferes, que corresponde atualmente ao posto de 2º tenente.

Irmã 4 - ANA DE BEM SALINAS nasceu em 23-03-1831, casou-se com ANTÔNIO GABRIEL EDLER, natural da Alemanha.

Joaquim Thomaz faleceu em Santa Maria-RS em 24-03-1835.

Ascendentes imediatos:

1º Avô Paterno - JOSÉ CAETANO DA SILVA
1ª Avó Paterna - JOANA PERPÉTUA DE SÁ


Apresentamos, a seguir, alguns comentários sobre a profissão médica e farmacêutica na época de Joaquim Thomaz, bem como sobre a sua qualificação profissional.

O órgão oficial que fiscalizava e regulamentava as profissões ligadas à "Arte de Curar" denominava-se Fisicatura-mor e pertencia ao Estado. A Fisicatura-mor foi criada em Portugal, em 1521, e tinha delegados nas colônias. Veio para o Brasil em 1808, com a vinda de D. João VI, e foi extinta por volta de 1828, com a criação da Escolas de Medicina em Salvador-BA e no Rio de Janeiro-RJ. A Fisicatura-mor expedia Licenças e Cartas, que davam autorização para as pessoas exercerem atividades de Médico, Boticário, Cirurgião, Sangrador, Partejador e Curandeiro. Os Licenciados eram autorizados para curar pela medicina prática.

Segundo TÂNIA SALGADO PIMENTA, a Fisicatura era dividida em Físico-mor, abrangendo as profissões de Médico, Boticário e Curandeiro e de Cirurgião-mor, abrangendo as profissões de Cirurgião, Sangrador e Partejador. Médico, Cirurgião e Boticário eram profissões exercidas apenas por pessoas mais abastadas, pois para ter acesso a essa formação deveriam ser pessoas livres, socialmente bem posicionados e do sexo masculino. A conferência dos títulos reafirmava o maior ou menor prestígio da pessoa. O Sangrador atuava po r conhecimento justificado por representações médicas elaboradas por HIPÓCRATES e GALENO, ainda em vigor na Europa, e limitava-se a atos cirúrgicos menores, de caráter mecânico, utilizando-se de ventosas para realizar sangramentos.

Joaquim Thomaz tem, devidamente catalogados no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, os processos que o licenciaram e habilitaram às suas três profissões de Farmacêutico, de Sangrador e de Cirurgião. Neles pode-se ler que no seu pedido de Carta de Farmácia, quatro examinadores apresentaram comentários abonadores:

JOÃO BAPTISTA SOARES DE MEIRELLES afirma que Joaquim Thomaz freqüentou suas aulas de Gramática Latina com pleno aproveitamento.

JOAQUIM JORGE DE CASTRO, também chamado de Frei JOSÉ POLICARPO DE SANTA GERTRUDES, monge beneditino, Pregador Régio de Filosofia, diz que Joaquim Thomaz freqüentou suas aulas onde se distinguiu com muito aproveitamento, por ser dotado de talento e ser estudioso.

JOAQUIM BAPTISTA, Professor Régio de Geometria, diz que Joaquim Thomaz freqüentou suas aulas com aplicação e bom aproveitamento.

FRANCISCO JOSÉ GONÇALVES BENTO, boticário aprovado por Sua Majestade Fidelíssima, certifica que praticou com Joaquim Thomaz a Arte Farmacêutica.

O seu exame para Cirurgião e obtenção de Licença para Sangrador foi feito em Porto Alegre-RS, na presença do Delegado IGNÁCIO JOAQUIM DE PAIVA, pelos Cirurgiões aprovados JOAQUIM ALVES PINTO GUEDES e VERÍSSIMO DA SILVA ROSA, sendo a Licença expedida no Rio de JaneiroRJ em 04-11-1824.

Joaquim Thomaz teve, ainda, a profissão de Professor Régio, segundo apurou o pesquisador RONI DE VASCONCELLOS SANTOS, que abaixo transcrevemos:

"Tendo D. João VI transferido a Corte para o Brasil em 1808, acudiu no ano seguinte aos pedidos de municipalização. Foram então criados, pela Provisão Real de 7 de outubro de 1809, os 4 primeiros municípios do Rio Grande do Sul: Porto Alegre, Rio Grande, Santo Antônio da Patrulha e Rio Pardo. O município de Rio Pardo é que englobava o maior território da Capitania.

O periódico "Publicações do Archivo Nacional", de 1935, em comemoração ao Centenário da Revolução Farroupilha, e no relato da vida e obra do Padre-Mestre JOÃO DE SANTA BÁRBARA, que foi Professor de Joaquim Thomaz de Bem Salinas, diz o seguinte:

A instrução pública na Província de Rio Grande de São Pedro do Sul, teve início em 1820, com a nomeação de seus primeiros Professores-Régios:
.....
Para o município de Rio Pardo, para primeira letras, o Professor Joaquim Thomaz de Bem Salinas, em 25 de outubro de 1820,...
.....

Podemos supor que a migração de Joaquim Thomaz para o Rio Grande do Sul seja devida a este seu primeiro emprego público, possivelmente com a ajuda de do Pe. JOÃO DE SANTA BÁRBARA, seu professor , grande homem de letras e filósofo que ministrou, em sua própria casa, aulas para D. Pedro II. João que foi nomeado na mesma data para o cargo de Professor-Régio de filosofia em Porto Alegre."

Pesquisa de Roni Vasconcellos, realizada no ano de 2001 no Museu Caldas Júnior de Santo Antônio da Patrulha-RS, levou-o a um encontro com o pesquisador JOSÉ MACIEL JUNIOR, também conhecido como JUCA MACIEL, autor do livro Reminiscências da Minha Terra, publicado pela Editora EST, atualmente esgotado. Nele encontra-se um interessante e precioso complemento aos textos citados anteriormente sobre Joaquim Thomaz:

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"EDUCAÇÂO E CULTURA
A Instrução pública no continente do Rio Grande

.Se a instrução na capital da província era quase nula, é de imaginar o que aconteceria nas vilas e povoados do interior, onde escasseavam todos os elementospara isso, com exclusão de Rio Pardo que, por circunstâncias especisais, teria vida, talvez, mais intensiva que a de Porto Alegre.

Estavam ali sediadas as principais fôrças da província, pricipalmente o Regimento de Dragões que recebia, como oficiais, continuamente, homens ilustres, quer estrangeiros, quer nacionais. Aí floresceram os primeiros poetas, os primeiros pensadores, os Arautos da revolução Farroupilha. Em trabalho sobre os poetas da revolução, cita Eduardo Duarte, vários nomes de cultores de versos naturais do Rio Pardo, como Serafim Alencastro, os Sarmento Menna, os Fontouras e outros que honraram as letras rio-grandenses. Mas, como na capital, somente em 1820 recebe Rio Pardo as primeiras aulas públicas. Vão exercê-las JOAQUIM THOMAZ DE BEM SALINAS, nomeado para essa cadeira de primeiras letras em 25 de outubro desse ano.

Coruja nos dá interessantes notícias do Bem Salinas. Estivera em Porto Alegre e ali, com outros moços do tempo, representara entremesses e tragédias no tatrinho da Rua do Ouvidor, hoje denominada Rua Uruguai. Aurélio Pôrto forneceu algumas notas genealógicas sôbre esse primeiro professor público de Rio Pardo. Bem Salinas viera para o Rio Grande do Sul como cirurgião. Era natural do Rio de Janeiro e filho legítimo de José Caetano da Silva e Joana Perpétua de Sá. Casou-se em 2ª núpcias com Ana Flora, natural de Taquary-RS. Bem Salinas teve vários filhos, dentre os quais o Major ( ? ) Joaquim Thomaz de Bem Salinas, que morreu na guerra do Paraguai, e Joaquina Theodora que se casou com FRANCISCO DE ASSIS BRASIL, tendo sido pais do Dr. JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL, chefe civil da revolução de 1923 e fundador do extinto Partido Libertador."

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Em alguns textos Joaquim Thomaz é relacionado como militar de carreira, provavelmente devido a uma confusão com o seu filho homônimo, que faleceu no posto de Alferes do Exército Brasileiro. Esse filho nunca foi Major, como citado no texto acima. No Arquivo do Exército do Rio de Janeiro, assim como no livro "História do Município de Santa Maria", de JOÃO BELÉM, aonde narra-se o seu falecimento, em nenhum momento é dito que ele foi militar. Ainda não foram pesquisadas as Ordens do Dia, ano a ano, do período em que ele viveu até falecer em 1835 em Santa Maria-RS, mas não acreditamos que possa ser comprovado ter sido Joaquim Thomaz um militar de carreira.


Mãe - JOAQUINA THEODORA DO ESPÍRITO SANTO nasceu na cidade do Rio de Janeiro-RJ em 11-09-1794, onde foi batizada em 12-10-1794 na Igreja da Candelária. Teve por padrinhos o Chanceler Doutor ANTÔNIO DE DIAS DA CRUZ e protetora NOSSA SENHORA DOS HUMILDES. Residia na Freguesia da Sé, no Rio de Janeiro-RJ. Após seu casamento em 1815 com JOAQUIM THOMAZ DE BEM SALINAS, aos 20 anos, passou assinar-se JOAQUINA THEODORA DE BEM SALINAS, o mesmo sobrenome que veio a dar posteriormente à sua filha. Esta, após casar-se com JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL, passou a usar o nome de JOAQUINA THEODORA BRASIL. Faleceu em Porto Alegre-RS em 01-06-1828.

Ascendentes imediatos:
1º Avô Materno - MANOEL DO ESPÍRITO SANTO ARAÚJO
1ª Avó Materna - MARIA JOAQUINA DO ROZÁRIO LESSA

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