A OVELHA KARAKUL


ORIGEM

A raça Karakul é também conhecido como Karakul'skaya, Astrakhan e Bukhara. Ela é, provavelmente, uma das raças mais antigas dentre os ovinos domésticos. Evidências arqueológicas indicam a existência de peles persas de cordeiros no ano de 1400 AC. Esculturas de um tipo distinto de Karakul foram encontradas em templos, na Babilônia Antiga. Os ovinos Karakul pertencem a um tipo de cauda larga, adiposa, constituído por grande número de raças espalhadas pela Ásia Menor, estendendo-se pelo sul da Ásia até a India e a China.

                          LAGO KARAKUL
Embora a raça Karakul seja conhecida pela sua produção de peles, principalmente as de cordeiros novos, este animal é também uma fonte de leite, carne, gordura e lã.

Considera-se como sua região de origem as estepes e semi-desertos do Turquistão Oriental, atual Usbequistão, assim como as regiões do norte do Irã e do Afeganistão, onde a raça já existia há 1.000 anos. A partir dali, ela se espalhou gradualmente para outras regiões da Ásia Central. O seu nome atual é originado de uma vila chamada Karakul, coordenadas geográficas 39°30'N e 63°51'E, uma pequena cidade localizada na região de Bukhara, no vale do Rio Amu Darja, a cerca de 60km de cidade de Bukhara, coordenadas geográficas 39°46'N 64°26'E, antigo emirado do atual Usbequistão. As primeiras referências a Bukhara, cidade que tem cerca de 200.000 habitantes, datam do Século II AC. A palavra Kara-kul significa "lago negro".

Esta região, embora citada como de alta altitude em toda a literatura sobre a ovelha Karacul, tem altitude média da ordem de 200 metros, uma vegetação típica de deserto e uma disponibilidade de água limitada. Em inglês a raça é chamada também de "broadtail", cauda espessa, pois a armazenagem de muita gordura em suas caudas foi uma adaptação desenvolvida para a sobrevivência desses ovinos em ambiente inóspito onde, muitas vezes, têm de percorrer 30km em busca de alimento e água. Até os dias atuais a raça Karacul é conhecida pela sua resistência e capacidade de sobrevivência. As ovelhas Karakul podem sobreviver em extremos do calor e frio, de +46 a -36°C, e podem beber a água altamente salgada encontrada em cerca de 80% dos pastos do Usbequistão.

Atualmente, a principal finalidade da criação dos ovinos Karakul é a produção de peles. É do cordeiro Karakul, abatido nos três primeiros dias de vida, que se obtém a nobre pele conhecida por ASTRAKAN, que é o nome de uma cidade do Mar Cáspio onde os franceses adquiriam suas peles. Os primeiros exemplares desses ovinos chegaram à América do Sul através da Argentina em 1914. Sua introdução no Brasil deu-se em 1931, importados para o Rio Grande do Sul pelo político e diplomata DR. JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL.

Karakuls foram introduzidos nos Estados Unidos entre 1908 e 1929 para a produção de peles. Os criadores americanos, em sua ânsia para produzir uma quantidade grande de peles, cruzaram o Karakul com outras raças, o que resultou em uma produção de peles de qualidade inferior, não havendo fixação da raça. Mesmo em regiões nativas, a demanda por peles resultou em cruzamentos e mistura de ovinos de cauda gorda. Por causa disso, os rebanhos americanos passaram a exibir grandes variações no tipo e na cor. Esta falta de uniformidade ocorre até mesmo naqueles Karakuls capazes de produzir peles de qualidade elevada.

Devido ao interesse crescente na utilização de fibras de lã nos Estados Unidos, aumentou a procura por ovinos Karakul. Ela é uma raça especializada para a produção de peles e o velo apresenta uma belíssima variedade de cores naturais. Em sua região nativa, as cores são chamadas pelos seguintes nomes: Arabi (preto), Guligas (cor-de-rosa), Kambar (marrom), Shirazi (cinza) e Sur (marrom-esverdeado). Alguns indivíduos, podem ocasionalmente, serem brancos ou apresentarem mais de uma cor em seu velo.


CARACTERÍSTICAS

As condições adversas sob as quais evoluiu a raça Karakul, deram a estes animais força e longividade. São resistentes aos parasitas e ao apoderecimento dos cascos. Se tiverem acesso a uma alta disponibilidade de forragens, são capazes de armazenar energia, principalmente através de sua cauda gorda, para sobreviverem a períodos subseqüentes de falta de alimentos, situação em que outras raças não aguentariam. Como já dissemos, a raça Karakul suporta grandes variações de temperatura, do frio ao calor intenso, mas deve ser criada e mantida em locais secos, distante de pastagens alagadiças.

O Karakul não apresenta estacionalidade reprodutiva, o que permite a ocorrência de três parições em 2 anos. Nasce um único cordeiro por parto, embora, ocasionalmente, possa ocorrer o nascimento de gêmeos.

As ovelhas são mães muito protetoras e atentas, fazendo com que a taxa de sobrevivência dos cordeiros seja elevada. O Karakul apresenta um forte instinto de rebanho e pode varar cercas. São muito difíceis de serem conduzidos. Provavelmente, eles irão se dispersar ou enfrentar um cão pastor que tente agrupá-los.

O Karakul difere na conformação das outras raças. Fazem parte do grupo de ovinos que armazenam gordura na base da cauda para ser utilizada em períodos de escassez de alimento. É um ovino de porte médio. Os machos adultos pesam de 80 a 100 Kg e as ovelhas 45 a 70 Kg. São altos, com um corpo longo e estreito. A cabeça também é longa e estreita. As orelhas longas estão apontando sempre para baixo e ligeiramente para frente, variam de uma forma longa de U a uma forma pequena de V. O pescoço é longo e semi-ereto. As pernas são de comprimento médio a longo de ossatura fina.Os machos podem ter ou não chifres. Quando presentes, os chifres são curtos ou largos, na forma de uma espiral. As ovelhas geralmente não apresentam chifres.

O Karakul se diferencia pelo seu velo colorido, sendo a cor preta o gene dominante. A maioria dos cordeiros recém nascida é preta e o velo é brilhante, macio e ondulado. A face, orelhas e membros são cobertos por pêlos lisos. À medida que os cordeiros crescem, as ondulações do velo se espaçam, a coloração vai se tornando acinzentada e há perda da maciez.

ASPECTO GERAL - É um ovino de tamanho médio, relativamente pouco pesado, vigoroso, alerta, de conformação muito angulosa, corpo períforme. O trazeiro mais alto e volumoso que o dianteiro, ostentando uma cola muito grossa. Quando adulto tem corpo coberto de pêlos compridos e entremeados com lã mais curta, e a cabeça e membros cobertos de pêlos curtos e brilhantes. É uma raça especializada na produção de peles de cordeiros, conhecidas mundialmente pela denominação de "Astrakan".

CABEÇA - Pode ser mocha ou aspada em ambos os sexos, mas geralmente os machos são aspados e as fêmeas mochas. Os chifres tem distintas formas e tamanho, desde os aspiralados e grandes até os levemente curvos e pequenos. A cabeça é proporcionalmente pequena, comprida e estreita, de perfil fronto nasal (ou somente nasal) geralmente convexilíneo. Orelhas de textura fina, compridas, largas e pendentes, cobertas de pêlos curtos e lustrosos. O velo atinge somente a parte posterior e superior da cabeça, bem acima da linha dos olhos. Os pêlos curtos e lustrosos que cobrem as orelhas, cara e mandíbulas, variam em cor de acordo com a variedade a que o animal pertence.

PESCOÇO - Comprido, fino e erguido.

CORPO - Comprido e periforme, com o posterior mais largo e elevado que o anterior. Peito estreito e deprimido. Paletas finas e convergentes, formando uma cernelha estreita e um pouco saliente. Costelas compridas com pouco arqueamento. Linha dorso lombar um pouco deprimida, com forte depressão atrás das cruzes. Anca muito ampla e bastante inclinada. Cola de inserção muito larga, de formato triangular (formato de lira), comprida e com a ponta torcida em "S", armazenando grande quantidade de gordura, por vezes chega a pesar 6 Kg ou mais. A parte interna da cola tem a pele completamente livre de lã e pelos.

MEMBROS - Compridos, com ossos finos, com maus aprumos. Os membros posteriores são mais compridos que os anteriores. São completamente desprovidos de pêlos compridos e lã, mas são cobertos de pêlos curtos, iguais aos da cara e orelhas. Cascos pretos.

VARIEDADES - O Karakul, ou melhormente, a pele Astrakan de acordo com a cor tem as seguintes variedades:
"ARABI" - preto (várias nuances) - todos os pêlos são pretos, em todo o corpo.
"SHIRAS" - cinza, variando desde o cinza claro até o escuro e o azulado - esta cor é formada de pêlos pretos ao lado dos brancos, sendo que a proporção de cada cor determina a tonalidade de cinza.
"KONBAR" - marron, variando desde o bege até o café - todos os pêlos da mesma cor.
"SUR" - tons de ouro, platina, bronze, antracita, com reflexos metálicos - cada fio de pelo apresenta duas tonalidades de uma cor: a base é mais escura e a extremidade é mais clara.
"GULIGAS OU HALILI" - rosa ou lilás - São pêlos marrons que podem ser de diferentes tonalidades, ao lado de brancos, sendo que também aqui proporção de cada cor determina a tonalidade.

VELO - Como ocorre nos ovinos selvagens ou pouco aperfeiçoados, o velo do Karakul adulto tem a particularidade de apresentar pêlos grossos e lã fina entremeados. Cobre todo o corpo, com excessão da cabeça e extremidades, sendo do tipo aberto e com mechas de formato cônico ou em ponta, alcançando comprimentos de até 20 cm. A lã do borrego Arabi, que é o mais numeroso, mais ou menos 80% de todos os Karakul, adquire ainda no primeiro ano de vida uma tonalidade acastanhada, ou então forma-se em se velo pêlos individuais brancos ou cinza. O velo vai clareando com a idade. Alguns animais apresentam o velo cinza escuro até uma idade avançada. Outros já aos dois anos são de uma tonalidade cinza prateada. As variedades Shiras e Konbar geralmente mudam para o esbranquiçado. Apenas a cara, as orelhas e as pernas, que são cobertas de pêlos curtos e não de lã, conservam em adulto a cor original do cordeiro ao nascer. O Karakul pertence às raças de "lã mista", isto é, o velo se compõe de dois tipos de fibras:
a) Fibras compridas, de 11 a 18 cm de comprimento e de 65 a 80 micrômetros de diâmetro, que alguns autores consideram pêlos.
b) Fibras mais curtas e muito mais finas, com 5 a 8 cm de comprimento de 30 a 35 micrômetros de diâmetro, que se encontram misturadas com os pêlos, e alguns autores denominam de lã legítima. O conjunto destes dois tipos de fibras resulta em mechas de forma cônica, semelhante às de ovelhas crioulas. A proporção de lã e pêlos longos determina a qualidade dos rolos que o cordeiro teria; o ideal seria a proporção de 30 a 35% de lã para 70 a 65% de pêlos.

APTIDÕES
- Rústica e sóbria, adaptando-se a diferentes climas, com excessão dos muito úmidos.
- Produtora de peles de cordeiro, de grande valor na indústria peleteira.
- Conforme o cordeiro seja abatido até os 3 dias de vida ou nonato a pele recebe a denominação de Astrakan ou Breitschwanz, sendo esta última muito mais rara e cara.
- A sua carne, que é praticamente isenta de gordura, e muito saborosa.
- A cola, que é muito gorda, e se constitui numa reserva destinada a suprir o animal nos períodos de carência alimentar, constitui num alimento muito apreciado por certos povos.

DEFEITOS QUE OCORREM NOS ANIMAIS ADULTOS
- Conformação harmônica, muito revestimento de carne.
- Cola fina, ou mesmo grossa mas sem o formato típico em lira e a terminação em S.
- Velos com mechas muito onduladas ou com muita lã.
- Constituição muito robusta, de ossos grossos.

Parte do texto acima foi reproduzidos dos sítios O Portal da Caprino-Ovinocultura e Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos.